Execuções na Coreia do Norte crescem 250% por acesso a cultura estrangeira
Execuções na Coreia do Norte sobem 250% por cultura estrangeira

Execuções na Coreia do Norte disparam após fechamento de fronteiras

Um relatório do Transnational Justice Working Group (TJWG), grupo de direitos humanos com sede em Seul, Coreia do Sul, denunciou um aumento drástico nas execuções na Coreia do Norte relacionadas ao acesso e divulgação de cultura estrangeira, religião e "superstição". A pesquisa entrevistou 880 desertores norte-coreanos e comparou os períodos antes e depois do fechamento das fronteiras em janeiro de 2020, ordenado por Kim Jong-un para proteger o país da pandemia de covid-19.

Aumento de 250% nas sentenças de morte

Segundo o relatório, 153 pessoas foram condenadas à morte entre janeiro de 2020 e meados de dezembro de 2024, um aumento de quase 250% em relação ao período anterior. O crescimento é ainda mais pronunciado para crimes relacionados à cultura, religião (como posse de Bíblia) e superstição: 38 execuções após o fechamento das fronteiras, contra apenas sete antes.

"Antes do fechamento da fronteira, o assassinato era o crime capital mais citado", disseram os ativistas. "Nos últimos anos, o foco mudou para crimes envolvendo cultura e informações estrangeiras, como filmes, dramas e músicas sul-coreanas."

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Repressão severa e conteúdo estrangeiro

Especialistas apontam que o regime de Kim Jong-un usa força letal para garantir lealdade e reprimir descontentamento. Apesar da repressão, conteúdo estrangeiro circula amplamente no país. "É tarde demais para o regime reverter essa situação", afirmou Greg Scarlatoiu, diretor executivo do Comitê para os Direitos Humanos na Coreia do Norte. "A repressão se torna mais severa, e a violência está se tornando a opção preferida."

Scarlatoiu destacou que jovens da elite norte-coreana em áreas urbanas são "viciados" em cultura pop sul-coreana e filmes americanos contrabandeados, arriscando suas vidas para acessá-los.

Execuções públicas e punições

Em janeiro de 2022, uma mulher de 20 anos e seu namorado foram executados publicamente na província de Pyongan do Sul por assistirem e compartilharem programas sul-coreanos. A mulher era filha de um membro sênior do Ministério da Segurança do Estado, mas isso não a salvou. A família foi enviada a um campo de prisioneiros políticos, e cerca de 300 moradores foram obrigados a assistir à execução. Vinte pessoas acusadas de compartilhar o material foram presas.

Song Young-Chae, ativista sul-coreano, afirmou: "O regime teme videoclipes e programas de TV porque expõem a mentira de que vivem em um paraíso. A última coisa que Kim Jong-un quer é que imagens do exterior incitem o livre pensamento."

Críticas à proibição de balões

Ativistas criticam a lei sul-coreana que proíbe o envio de conteúdo por balões através da fronteira, aprovada em meio a esforços de aproximação com Pyongyang. Song considera a proibição um "grande erro", enquanto Scarlatoiu a descreveu como "erro de proporções épicas". Ele comparou com sua experiência na Romênia comunista: "Até 80% dos romenos não confiavam na propaganda. As rádios estrangeiras foram cruciais na queda do regime."

"Os norte-coreanos precisam ouvir a história da Coreia do Sul próspera e democrática", concluiu Scarlatoiu. "Isso só pode acontecer por meio de panfletos em balões e outros meios limitados."

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