Acusação formal contra Raúl Castro
Os Estados Unidos apresentaram acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, nesta quarta-feira (20). A informação foi divulgada pela agência Reuters, que teve acesso aos registros do tribunal. De acordo com os autos, Castro é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Outras cinco pessoas também são citadas como rés em uma moção dos EUA para tornar pública a acusação contra Castro.
Reação de Cuba
Na primeira manifestação oficial de Havana após o indiciamento, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou a manobra como uma ação política sem base jurídica. A expectativa é que a acusação envolva um incidente ocorrido há 30 anos: a derrubada de dois aviões civis em fevereiro de 1996, quando Raúl Castro era ministro da Defesa. As aeronaves pertenciam ao grupo Brothers to the Rescue, formado por cubanos anticastristas exilados nos EUA. Os quatro tripulantes morreram, três deles cidadãos americanos.
Declaração de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em comunicado: "Os Estados Unidos não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano." A acusação é vista como mais um capítulo na tensa relação entre os dois países.
Trajetória de Raúl Castro
Raúl Modesto Castro Ruz, que completa 95 anos no próximo dia 3, foi um dos guerrilheiros que esteve ao lado de Fidel Castro e Che Guevara em Sierra Maestra em 1958. O grupo depôs o ditador Fulgencio Batista e estabeleceu um regime socialista. Como ministro da Defesa por 50 anos, enviou militares para lutar em Angola e outros países africanos. Após assumir a Presidência em 2008, promoveu reformas econômicas e restabeleceu relações diplomáticas com os EUA em 2014, degelo que durou até 2016.
Pressão sobre Cuba
Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, os EUA vêm pressionando Cuba a implementar reformas. O governo cubano rejeita as exigências, defendendo a soberania nacional. Washington impôs embargo petrolífero e ampliou sanções econômicas. Especialistas consideram plausível uma agressão militar dos EUA contra a ilha, e o próprio Trump já afirmou que Cuba "é a próxima".



