O custo da guerra em mísseis está elevado para os Estados Unidos, enquanto representantes americanos e iranianos se preparam para uma nova rodada de negociações no Paquistão. Após quase dois meses de conflito no Oriente Médio, a imprensa dos EUA revela que o presidente Donald Trump tem mais um motivo de preocupação: os estoques de munição das Forças Armadas americanas estão baixos.
Bloqueio naval e tensões no Estreito de Ormuz
A semana termina com dezenas de navios parados no Estreito de Ormuz. Os bombardeios deram lugar a um teste de forças entre Estados Unidos e Irã: um bloqueio naval duplo, com apreensões de embarcações de ambos os lados. A estratégia visa ganhar vantagem para a mesa de negociação. Nesta sexta-feira (24), o secretário de Guerra Pete Hegseth afirmou que um segundo porta-aviões se juntará ao bloqueio a navios iranianos nos próximos dias, e que o cerco agora é global, abrangendo oceanos do mundo todo.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã rebateu: "Ataques a navios são tanto uma violação do cessar-fogo quanto contrários ao direito internacional e demonstram que o lado americano não apenas carece de boa-fé, mas na verdade tem más intenções". Navios do mundo todo seguem parados no Estreito de Ormuz, aguardando a retomada das negociações.
Negociações no Paquistão
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, desembarcou no Paquistão, país que está mediando as conversas. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que o enviado especial, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, embarcarão para a capital paquistanesa neste sábado (25). Em Islamabad, tudo está preparado, com segurança reforçada. No entanto, um porta-voz do Irã declarou que os dois lados não se encontrarão frente a frente, apenas com os negociadores paquistaneses.
O desafio agora é alcançar consensos mínimos. Os iranianos exigem alívio das sanções, compensação pela destruição da guerra e garantia de que os Estados Unidos não voltarão a atacar. Já os americanos não abrem mão do fim do programa nuclear iraniano e não querem que o Estreito de Ormuz fique sob controle do adversário. A questão é: quem vai ceder?
Custo elevado e estoques baixos de munição
Apesar das diferenças, nenhum dos lados tem interesse em continuar a guerra, que tem um custo alto. O jornal americano New York Times publicou uma reportagem nesta sexta-feira (24) mostrando que os estoques de munição dos Estados Unidos estão baixos, e as armas tiveram que ser remanejadas de outras regiões estratégicas, como o Comando da Ásia.
Segundo a reportagem, os americanos já usaram na guerra cerca de 1,1 mil mísseis de cruzeiro de longo alcance, projetados para um eventual conflito com a China; mais de 1,2 mil mísseis interceptores Patriot, que custam mais de US$ 4 milhões cada; mil mísseis de ataque de precisão; além de outros mil Tomahawks – quase dez vezes a quantidade que o governo compra anualmente. Todos esses são bem mais caros do que os drones iranianos.
E qual o custo total? Autoridades da Casa Branca se recusam a estimar, mas dois grupos independentes ouvidos pelo jornal calculam que a despesa até agora está entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões. Sem contar o impacto no preço da energia. A Reuters divulgou uma pesquisa nesta sexta-feira (24) mostrando que 77% dos americanos consideram o presidente culpado pelo aumento da gasolina. O custo de manter a guerra é alto para Donald Trump.



