Policial usou inteligência artificial para simular voz de ex-mulher e matar os pais dela
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu que o policial militar Cristiano Domingues Francisco, suspeito de matar a ex-mulher e os pais dela em Cachoeirinha (RS), utilizou uma ferramenta de inteligência artificial para clonar a voz da vítima e enganar os familiares. O crime ocorreu no final de janeiro, e os corpos ainda não foram localizados.
De acordo com o inquérito, que tem mais de 20 mil páginas, Cristiano é acusado de feminicídio de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e do duplo homicídio dos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70. Ele também foi indiciado por ocultação de cadáveres, furto qualificado, falso testemunho, falsidade ideológica, fraude processual, associação criminosa e abandono de incapaz, por ter deixado o filho de 9 anos sozinho em casa enquanto cometia os crimes.
O advogado de defesa, Jeverson Barcellos, afirmou que ainda não teve acesso integral ao inquérito e que precisa analisar as provas para formar convicção. Outras cinco pessoas, incluindo a mãe, o irmão, a atual mulher, a sogra e um amigo de Cristiano, também foram indiciadas por ajudarem a apagar vestígios dos crimes. A polícia pediu a prisão deles, mas a Justiça não acolheu o pedido.
Como a inteligência artificial foi usada
Segundo a investigação, Cristiano acessou um software de clonagem de voz em seu notebook, que permitia, a partir de uma amostra vocal, gerar novos diálogos com a voz clonada. Ele usou a ferramenta para simular a voz de Silvana em pelo menos três ligações telefônicas.
Na primeira, ele ligou para o comércio dos pais dela, fingindo ser a filha, e disse que havia sofrido um acidente de carro em uma região serrana. O objetivo era disfarçar o desaparecimento dela. No celular de Cristiano, foram encontradas anotações com as frases que ele usaria no enredo.
Depois, ele usou novamente a IA para simular um pedido de Silvana ao pai, Isail, para que fosse até a casa dela consertar um problema elétrico. Isail teria ido de carona com Cristiano, mas cerca de 20 minutos depois, apenas o policial saiu da casa. O pai nunca mais foi visto.
Em seguida, uma falsa mensagem de Silvana para a mãe, Dalmira, pedia que ela recebesse Cristiano, que iria buscar ferramentas. Dalmira estava sozinha e, após a chegada do policial, também desapareceu.
Linha do tempo e provas
As câmeras de segurança e os dados de celular mostram que Cristiano passou a usar o aparelho de Silvana após o desaparecimento dela, em 24 de janeiro. Ele publicou postagens em redes sociais e enviou mensagens se passando pela vítima. Vestígios de sangue de Silvana e Isail foram encontrados na casa dela. O carro usado nos crimes ainda não foi localizado.
O delegado Ernesto Prestes afirmou que as buscas pelos corpos continuam. Cristiano está preso preventivamente.



