Cuba aceita US$ 100 milhões dos EUA em meio à crise e pressão de Trump
Cuba aceita US$ 100 milhões dos EUA sob pressão de Trump

Cuba aceita ajuda de US$ 100 milhões dos EUA em meio a crise energética e tensões políticas

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou nesta quinta-feira, 21, que aceitará a oferta dos Estados Unidos de US$ 100 milhões em ajuda humanitária. A decisão ocorre após o governo cubano declarar que o país está completamente sem combustível, resultado direto das sanções impostas pela administração Trump, que agravaram a crise econômica e humanitária na ilha.

Em publicação no X (antigo Twitter), Díaz-Canel afirmou: “Se o governo dos Estados Unidos estiver realmente preparado para fornecer ajuda nos montantes anunciados — e em plena conformidade com as práticas universalmente reconhecidas para assistência humanitária — não encontrará obstáculos nem ingratidão por parte de Cuba, por mais inconsistente e paradoxal que tal oferta possa parecer a um povo que esse mesmo governo submete sistematicamente a punições coletivas”.

Histórico da oferta e negociações

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia anunciado a oferta na semana passada, mas inicialmente afirmou que as autoridades cubanas a recusaram. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, negou conhecimento da proposta e acusou Rubio de mentir. No entanto, Rubio reiterou na quarta-feira 20 que o pacote continua válido. Segundo o Departamento de Estado, os suprimentos podem ser distribuídos pela Igreja Católica e outras organizações humanitárias independentes.

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A assistência a Havana esteve na pauta das discussões entre Rubio e o papa Leão XIV em reunião no Vaticano. Díaz-Canel declarou que a colaboração com a Santa Sé sempre foi “rica e produtiva” e listou as prioridades do pacote: “combustível, alimentos e medicamentos”.

Crise econômica e protestos

A economia cubana, em declínio acentuado há anos, atingiu o fundo do poço, com escassez generalizada, apagões e colapso da infraestrutura. Na quarta-feira, o ministro da Energia, Vicente de la O Levy, afirmou na televisão estatal: “Não temos absolutamente nenhum combustível, não temos absolutamente nenhum diesel”. Naquela noite, protestos eclodiram em Havana contra apagões de até 48 horas.

Os problemas energéticos devem-se à falta de manutenção de usinas obsoletas e à perda de fornecedores regulares de petróleo. A Venezuela interrompeu remessas gratuitas após a detenção de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro, e o México fez o mesmo após ameaças de tarifas de Trump.

Tensões diplomáticas e militares

O aceite da ajuda ocorre em meio a negociações estagnadas. Rubio expressou ceticismo quanto a mudanças com a atual liderança cubana. Enquanto isso, o Departamento de Justiça dos EUA apresentou acusações formais por homicídio contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, gerando especulações sobre uma possível operação militar em Havana.

Díaz-Canel denunciou as acusações como politicamente motivadas e alertou que qualquer incursão militar resultaria em um “banho de sangue”. Segundo o portal Politico, Trump e seus assessores, frustrados com a falta de reformas em Cuba, consideram a opção militar com mais seriedade.

O governo Trump ofereceu ajuda humanitária, internet gratuita e acordos econômicos, mas exigiu a substituição de Díaz-Canel, libertação de presos políticos e resolução de reivindicações sobre propriedades americanas confiscadas em 1959. Autoridades cubanas reiteram que não farão concessões políticas, mas estão abertas a uma grande abertura econômica.

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