O Festival de Cannes 2026 tem início nesta terça-feira (12) marcando a edição mais relevante para a corrida ao Oscar em sua história. Com pouca presença de Hollywood e nenhum filme brasileiro na competição pela Palma de Ouro, o evento francês, já considerado o mais prestigiado do mundo, agora entra oficialmente na disputa pela estatueta dourada.
Mudança nas regras do Oscar
A partir de 2027, vencedores das competições de alguns dos maiores festivais internacionais poderão ser indicados diretamente à categoria de melhor filme internacional do Oscar, sem depender da seleção de comitês nacionais. Isso significa que, em 23 de maio, o júri presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook ("Oldboy") anunciará o vencedor da Palma de Ouro, que se tornará elegível para o Oscar 2027, desde que mais de 50% de seu conteúdo não seja em inglês. O filme se juntará a "Shame and Money", vencedor do Grande Prêmio do Júri em Sundance, e a "Gelbe Briefe", premiado com o Urso de Ouro em Berlim.
Importância histórica de Cannes
A relevância de Cannes não surgiu com a mudança da Academia, mas se intensificou nos últimos anos devido à internacionalização dos membros da organização americana. Dos últimos dez vencedores da Palma de Ouro, sete receberam indicações ao Oscar, e dois conquistaram o prêmio de melhor filme, incluindo "Parasita" (2019), o primeiro filme não falado em inglês a vencer a categoria.
Um exemplo recente é "Anatomia de uma queda", Palma de Ouro em 2023, que recebeu cinco indicações ao Oscar, mas não pôde concorrer como filme internacional por não ter sido escolhido pela França. A decisão gerou controvérsias, especialmente após a diretora Justine Triet criticar o governo francês em seu discurso de agradecimento.
Prejuízo para o Brasil
A ausência de filmes brasileiros na competição principal é um revés para as ambições do país de conquistar uma terceira indicação consecutiva inédita ao Oscar de filme internacional. Em 2025, "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho, iniciou sua trajetória ao vencer dois prêmios em Cannes, o que ajudou a garantir distribuição nos Estados Unidos pela Neon, especialista em premiações. No entanto, sem representante na disputa pela Palma, o Brasil precisa buscar outras oportunidades, como o Festival de Veneza, em setembro, que impulsionou "Ainda estou aqui" em 2025.
Apesar disso, o Brasil não estará completamente ausente de Cannes. Selton Mello integra o elenco do filme chileno "La perra", que será exibido no festival.
Ausência de blockbusters
O crescimento da importância de Cannes no calendário de premiações também se deve à atenção dos estúdios americanos. Em 2026, nenhum grande lançamento de Hollywood será apresentado no festival. Filmes como "Dia D", de Steven Spielberg, e "A Odisseia", de Christopher Nolan, não estarão presentes, mesmo com estreias mundiais previstas para os próximos meses. Com isso, o destaque recai sobre autores consagrados, como o espanhol Pedro Almodóvar ("Amarga navidad"), os japoneses Hamaguchi Ryusuke ("Soudain") e Koreeda Hirokazu ("Hako no naka no hitsuji"), e o iraniano Asghar Farhadi ("Histoires parallèles").



