Cinco pessoas são denunciadas por coagir presos nas eleições de 2022 na Serra, ES
Denúncia por coação de presos nas eleições de 2022 na Serra

Denúncia aponta coação sistemática de presos durante eleições de 2022 na Serra

A Justiça Eleitoral do Espírito Santo recebeu formalmente uma denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral contra cinco pessoas acusadas de coagir presos durante o primeiro turno das eleições de 2022 na cidade da Serra, região da Grande Vitória. Segundo as investigações, a organização criminosa teria atuado para beneficiar candidatos específicos no pleito eleitoral, criando um ambiente de constrangimento e temor entre os detentos.

Estrutura da organização criminosa e métodos de atuação

Conforme o relatório final do inquérito encaminhado pela Polícia Federal, a logística do crime teria começado com o já falecido Sóstenes Araújo, então diretor da Escola Penitenciária do Centro de Detenção Provisória da Serra. Ele teria estabelecido comunicação com Silayr Pedra Ribeiro, assessor do então candidato a deputado federal Josias da Vitória, para combinar os votos no parlamentar.

A diretora da prisão, Chelsea Genevieve de Oliveira Moraes Fernandes, teria se envolvido posteriormente, sendo responsável por escolher a equipe incumbida de conduzir os internos eleitores da cela ao local de votação. O diretor adjunto Pablo do Nascimento Estevão foi selecionado para cuidar da segurança, com a denúncia alegando que essa escolha visava "conferir maior controle sobre a operação e reduzir a possibilidade de resistência ou fiscalização interna".

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A policial penal Flávia dos Santos Silva Sobrinho e a colaboradora Déborah Alves dos Santos também foram cooptadas para a organização. Esta última teria sido responsável por confeccionar e encaminhar "colinhas" eleitorais com os números dos candidatos apoiados pelo grupo.

Candidatos beneficiados e dinâmica da coação

Além de Josias da Vitória, que se reelegeu, a organização buscava eleger Alexandre Quintino Moreira para o cargo de deputado estadual, embora este não tenha conquistado a cadeira na Assembleia Legislativa do estado. Para o cargo de governador, constava na cola o número de urna de Renato Casagrande. É importante destacar que os candidatos não foram denunciados, pois não foram encontrados indícios de sua participação no planejamento ou execução das condutas investigadas.

No dia 2 de outubro de 2022, data do primeiro turno da eleição, Pablo teria sido o responsável por movimentar os internos eleitores, levando-os ao local de votação instalado no interior da penitenciária. Durante o caminho para a seção eleitoral, o acusado teria repassado orientações específicas aos presos.

Ambiente intimidatório e relatos dos detentos

Os presos eram então levados a um ambiente anexo à seção eleitoral, onde permaneciam reunidos antes de serem chamados à urna eletrônica. Nessa sala, Flávia dirigia-se aos presos e comunicava os números dos candidatos em quem eles deveriam votar. Segundo o Ministério Público Eleitoral, "os relatos dos custodiados são convergentes em apontar que a indicação não se apresentava como sugestão neutra, mas como direcionamento imposto por agente estatal responsável pela custódia, em contexto intrinsecamente intimidatório".

Um dos detentos ouvidos relatou que acatou a determinação após ouvir que o voto seria "pro bem da galeria", interpretando a frase como promessa de possíveis melhorias nas condições prisionais e sentindo receio de consequências como agressões ou prejuízos no tratamento carcerário.

Concentração de votos e defesa dos acusados

Conforme dados analisados pela Polícia Federal, "os números de votos computados evidenciaram a concentração expressiva de sufrágios nos candidatos apoiados pelo grupo investigado, em contexto diretamente relacionado à dinâmica de coação anteriormente descrita".

Todos os denunciados negam as acusações e alegam falta de provas consistentes. A defesa de Chelsea argumenta que a inclusão do nome dela é indevida, visto que nenhum detento teria citado a diretora. Os advogados de Pablo e Flávia afirmam a inocência de seus clientes, enquanto Silayr disse não conhecer os agentes penitenciários e alegou ter respondido apenas a uma única mensagem de WhatsApp sobre o resultado da votação. A defesa de Déborah argumenta que ela não tem relação com o caso e apenas entregou material solicitado por um eleitor.

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