STF define datas para julgamento que decide permanência de Rodrigo Manga na prefeitura de Sorocaba
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar entre os dias 1º e 11 de maio o recurso que reconduziu ao cargo o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos). A decisão da Segunda Turma da corte suprema será crucial para determinar se o político continua exercendo o mandato ou se volta a ser afastado das funções executivas municipais.
Linha do tempo do afastamento e retorno
Rodrigo Manga ficou fora da prefeitura por 145 dias, após ser afastado no dia 6 de novembro de 2025 durante a segunda fase da Operação Copia e Cola. Com seu afastamento temporário de 180 dias, o vice-prefeito Fernando Martins (PSD) assumiu a administração municipal por quase cinco meses. O relator do caso no STF é o ministro Nunes Marques, que em decisão monocrática suspendeu o afastamento, argumentando que a medida representava "intervenção excessiva na esfera política e administrativa do município de Sorocaba".
Operação Copia e Cola: investigação por desvios na saúde
A investigação que levou ao afastamento de Manga começou em maio de 2022 para apurar a contratação indevida da empresa Aceni pela Prefeitura de Sorocaba. Segundo a Polícia Federal, o trabalho revelou indícios de uma trama criminosa utilizada para dilapidar os cofres públicos, a partir do contrato emergencial da UPA do Éden e, posteriormente, da então UPH da Zona Oeste (atual UPA da Zona Oeste).
Em fevereiro, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 pessoas por crimes em contratos com a Prefeitura de Sorocaba na área da saúde. Entre os denunciados estão o próprio Rodrigo Manga, sua esposa Sirlange Frate Maganhato, e sua mãe, Zoraide Batista Maganhato. As acusações incluem organização criminosa, peculato, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e frustração de competição em licitação.
Caminho jurídico do recurso
O pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Rodrigo Manga foi inicialmente julgado pelo Tribunal Regional Federal (TRF-3) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O TRF-3 decidiu pela suspensão do chefe do Executivo como medida cautelar para o desenvolvimento da investigação, e o STJ manteve a decisão. Analisado agora na Suprema Corte, Rodrigo Manga recuperou também a permissão de acesso ou frequência aos edifícios oficiais.
A decisão de Nunes Marques será levada ao plenário para apreciação dos ministros da 2ª Turma do STF, composta por Gilmar Mendes (presidente), Dias Toffoli, Luiz Fux e André Mendonça, além do próprio relator. À época da decisão monocrática, Manga comemorou: "Mais uma vez, o STF mostra-se defensor dos direitos políticos e do povo".
Contexto político e reação da Câmara Municipal
Uma semana após a denúncia do MPF, os vereadores da Câmara de Sorocaba arquivaram dois pedidos de abertura de Comissão Processante (CP) contra Rodrigo Manga. Ambos os pedidos foram baseados nas investigações da Polícia Federal e relatórios do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que indicaram má administração financeira no município. Ao todo, 15 vereadores votaram contra a abertura da CP e nove votaram a favor, com moradores marcando presença com cartazes de protesto aos vereadores e apoio à cassação do prefeito.
O prefeito 'tiktoker' e sua trajetória política
Rodrigo Manga ficou conhecido nacionalmente como "prefeito tiktoker" depois de investir e viralizar com vídeos chamativos com tom de humor nas redes sociais, utilizando desinformação para falar da cidade e destacar as obras de seu governo. Ele assumiu a Prefeitura de Sorocaba em 2021, após vencer as eleições municipais de 2020, tendo cumprido anteriormente dois mandatos como vereador na cidade.
Quatro anos depois da primeira eleição, Manga foi reeleito prefeito de Sorocaba no primeiro turno das eleições municipais de 2024, quando recebeu mais de 263 mil votos válidos, correspondendo a 73,75% do total. Antes da carreira política, o prefeito (cujo apelido vem de uma variação do sobrenome Maganhato) ganhava destaque na TV e internet em Sorocaba como vendedor de veículos, aparecendo em programas de televisão anunciando automóveis, e é formado em marketing.
O julgamento no STF ocorrerá em um momento crucial, pois o afastamento de Manga duraria originalmente até 4 de maio, mas a decisão da Suprema Corte poderá alterar completamente esse cenário político-administrativo na cidade do interior paulista.



