Polícia Civil de Pernambuco afirma não ter documentos sobre monitoramento de secretário aliado de João Campos
Polícia de PE diz não documentar ação contra secretário de João Campos

Polícia Civil de Pernambuco nega documentação sobre ação contra secretário aliado de prefeito

A Polícia Civil de Pernambuco declarou oficialmente que não possui qualquer documento ou registro em seus sistemas referente à investigação envolvendo Gustavo Monteiro, secretário de Articulação Política e Social do Recife. O caso ganhou destaque após a revelação de que um equipamento rastreador foi instalado no carro do secretário sem a devida autorização judicial, levantando suspeitas de abuso de poder.

Detalhes da investigação e falta de registros

De acordo com a corporação, a apuração foi iniciada com base em uma denúncia anônima entregue fisicamente em envelope. No entanto, a missão de inteligência foi encerrada sem que fossem confirmados indícios de ilícitos, o que justificaria a ausência de relatórios formais. A Polícia Civil ressaltou que não houve boletim de ocorrência, instauração de Verificação Preliminar de Informação, nem geração de processos no Sistema Eletrônico de Informações.

Além disso, a instituição afirmou que não ocorreram atos de designação específica para a investigação ou ofícios de comunicação judicial. Em nota, a polícia explicou que a equipe atuou no exercício de suas atribuições regimentais permanentes na Diretoria de Inteligência (DINTEL), sugerindo que o monitoramento fazia parte de atividades rotineiras de inteligência.

Conflito político e investigação da Polícia Federal

O episódio desencadeou um embate político significativo entre o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), ambos pré-candidatos ao governo estadual. O caso foi levado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Gilmar Mendes determinou que a Polícia Federal (PF) investigue possíveis indícios de instrumentalização do aparato investigativo para fins políticos.

Em resposta, o governo estadual negou qualquer irregularidade no procedimento. Raquel Lyra se manifestou publicamente, afirmando em um vídeo nas redes sociais que não há orientação do Executivo para perseguir qualquer pessoa. Ela destacou a autonomia da Polícia Civil de Pernambuco, enfatizando que a instituição não serve a interesses políticos e não deve ser transformada em palco eleitoreiro.

Implicações e contexto eleitoral

Este caso ocorre em um contexto eleitoral sensível, com eleições estaduais se aproximando, o que intensifica as tensões entre as figuras políticas envolvidas. A falta de documentação formal pela Polícia Civil levanta questões sobre transparência e legalidade nas operações de inteligência, especialmente quando envolvem aliados de autoridades em cargos eletivos.

A investigação da PF agora busca esclarecer se houve abuso de poder ou uso indevido de recursos públicos para fins políticos, um tema que pode ter repercussões significativas na política pernambucana e na confiança pública nas instituições de segurança.