Computadores de desembargador preso por vazar operação TH Joias são periciados
PF e CNJ analisam computadores de desembargador preso

Os computadores do gabinete do desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), no Rio de Janeiro, estão sob análise pericial conjunta da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ação faz parte das investigações sobre o magistrado, preso preventivamente por suspeita de vazar informações sigilosas de uma operação policial.

Perícia em equipamentos e afastamento do cargo

Segundo apurado, os equipamentos foram recolhidos do gabinete do desembargador e ainda não retornaram da análise técnica. A perícia foi uma das primeiras medidas determinadas pelo ministro Mauro Campbell, corregedor nacional de Justiça, no âmbito de uma reclamação disciplinar sigilosa aberta contra Júdice Neto.

O gabinete do desembargador foi lacrado e ele foi afastado das funções por tempo indeterminado. Isso significa que, mesmo que consiga reverter a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele permanecerá impedido de retornar ao cargo enquanto durar a investigação administrativa no CNJ.

Operação Unha e Carne e suspeitas de vazamento

Macário Júdice Neto foi preso em dezembro de 2025 no contexto da Operação Unha e Carne. A Polícia Federal sustenta que o desembargador teria alertado o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, deputado Rodrigo Bacellar (União), sobre a ofensiva que atingiria o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias.

O suposto aviso teria ocorrido durante um jantar em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, na véspera da operação. TH Joias é investigado por suposto envolvimento com o tráfico de drogas.

Em sua decisão pela prisão preventiva, o ministro do STF Alexandre de Moraes citou "relevantes indícios de ações possivelmente coordenadas e estruturadas cuja finalidade é a obstrução de investigações". Moraes também alertou para riscos de "infiltração política" do crime organizado nas esferas de poder do Rio de Janeiro.

Investigações em andamento e possíveis desdobramentos

O desembargador responde a investigações nas esferas criminal e administrativa. A apuração do CNJ, conduzida pela Corregedoria Nacional de Justiça, tem como foco possíveis infrações disciplinares, incluindo obstrução da Justiça.

O procedimento de perícia em computadores de gabinetes sob investigação tornou-se padrão na gestão do ministro Campbell. Quaisquer provas encontradas nos equipamentos de Júdice Neto poderão ser compartilhadas com a investigação criminal da Polícia Federal, criando um elo entre os dois inquéritos.

O caso segue sob sigilo, e novos desdobramentos dependem do resultado das perícias e das conclusões das autoridades investigadoras. A situação ilustra um raro momento de convergência entre ações de controle interno do Judiciário e de investigação policial de alto nível.