Oposição pede tornozeleira eletrônica e apreensão de passaporte para Lulinha no STF
Oposição pede tornozeleira eletrônica para Lulinha no STF

Um grupo de parlamentares da oposição, integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o escândalo do INSS, protocolou um pedido formal ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026. O documento, endereçado ao ministro André Mendonça, solicita a imposição de medidas cautelares severas contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Risco de fuga e pedidos específicos

Os políticos fundamentam o pedido alegando um concreto risco de fuga do investigado. Diante dessa alegação, eles requerem especificamente que o STF decrete a colocação de uma tornozeleira eletrônica em Lulinha e determine a imediata apreensão do seu passaporte. A intenção é impedir que ele deixe o território nacional enquanto as investigações que o envolvem seguem seu curso.

O pedido foi subscrito por um grupo de deputados e senadores de oposição. Entre os signatários estão o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Luiz Lima (Novo-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP), além dos senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Rogério Marinho (PL-RN), que atua como líder da oposição no Senado Federal.

As menções de Lulinha nas investigações do INSS

O nome de Fábio Luís Lula da Silva tem sido recorrentemente mencionado no âmbito das apurações sobre o esquema bilionário de fraudes no INSS, que foi desbaratado pela Polícia Federal no primeiro semestre de 2025. Os parlamentares citam no documento enviado ao STF um episódio específico apurado em dezembro.

De acordo com as investigações, a PF identificou pagamentos recorrentes no valor de R$ 300 mil realizados a uma empresa ligada à empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha. Nas declarações de um dos personagens centrais do esquema, Antônio Carlos Antunes, conhecido como "Careca do INSS", ele teria dito que o valor era destinado ao "filho do rapaz".

O documento dos parlamentares destaca: "Registros e referências em conversas e documentos apontam pagamentos fracionados de R$300 mil, totalizando R$1,5 milhão, da empresa ligada ao 'Careca do INSS', que teriam sido realizados ao filho do presidente Lula".

Contexto político e resistência na CPMI

A iniciativa de acionar diretamente o Supremo ocorre em um cenário de embate político dentro da própria CPMI do INSS. Parlamentares da oposição já haviam apresentado múltiplos requerimentos para que Lulinha fosse convocado a prestar depoimento perante a comissão.

No entanto, nenhum desses pedidos foi aprovado até o momento. A rejeição é atribuída principalmente à forte resistência imposta pela base de apoio ao governo dentro do colegiado, que tem maioria e bloqueia a convocação.

O arquivamento de um processo criminal anterior contra Lulinha, que agora busca indenização por divulgação de grampo, também faz parte do pano de fundo deste novo capítulo. A decisão do ministro André Mendonça sobre o pedido de tornozeleira eletrônica e apreensão de passaporte é agora aguardada, podendo acirrar ainda mais os ânimos no confronto político entre governo e oposição.