Juíza dá 24 horas para Iapen explicar contratação de empresa para alimentação prisional
Iapen tem 24h para explicar contratação de empresa prisional

Juíza exige explicações urgentes sobre contratação de empresa para alimentação prisional no Amapá

A juíza Alana Castro, da 2ª Vara de Fazenda Pública de Macapá, determinou um prazo de apenas 24 horas para que o Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) apresente explicações detalhadas sobre a contratação da empresa Servi Gastronomia Industrial Ltda. A empresa foi escolhida para ser a nova responsável pelo fornecimento de alimentos ao sistema prisional do estado, em um contrato que envolve valores significativos e questões de segurança alimentar.

Decisão judicial publicada após contratação aparecer no Diário Oficial

A decisão da magistrada foi publicada nesta quarta-feira (11), logo após a contratação da empresa ser divulgada no Diário Oficial do Estado. A juíza havia concedido uma liminar na sexta-feira (6) que suspendia a desclassificação da Servi Gastronomia Industrial do processo licitatório, mas essa medida estava condicionada a uma nova inspeção técnica nas instalações da empresa.

A empresa tinha até o domingo (15) para comprovar que possui condições técnicas, estruturais e sanitárias adequadas para fornecer refeições ao sistema prisional do Amapá. Curiosamente, o contrato atual de fornecimento de alimentos termina exatamente nessa mesma data, criando um prazo limite crítico para evitar o desabastecimento nas unidades prisionais.

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Contratação realizada sem comprovação de inspeção técnica

Segundo a juíza Alana Castro, mesmo com a liminar condicionada à realização de nova inspeção, o Iapen assinou o contrato com a Servi Gastronomia Industrial sem comprovar se a inspeção técnica havia sido realizada conforme determinado judicialmente. A magistrada foi enfática ao afirmar que a liminar tinha como objetivo apenas permitir que a empresa comprovasse sua aptidão dentro do prazo estabelecido, e não para garantir automaticamente sua contratação.

"O Iapen deve informar em até 24 horas se houve nova inspeção técnica nas instalações da empresa e, em caso positivo, apresentar o laudo completo", determinou a juíza em sua decisão. Além disso, o instituto precisa comprovar se a empresa está realmente apta para fornecer refeições a partir de domingo (15), apresentando toda a documentação exigida pelas normas técnicas e sanitárias.

Economia de R$ 13,4 milhões e questões de interesse público

A empresa Servi Gastronomia Industrial argumenta que sua proposta é aproximadamente R$ 13,4 milhões mais barata que as das concorrentes no processo licitatório. A juíza Alana Castro considerou esse aspecto relevante para o interesse público, uma vez que representa uma economia significativa em um contrato considerado essencial para o funcionamento do sistema prisional.

No entanto, a magistrada enfatizou que a economia financeira não pode sobrepor-se às exigências técnicas e sanitárias necessárias para garantir a qualidade e segurança das refeições que serão servidas aos detentos em todo o estado do Amapá.

Contexto do novo processo licitatório

O contrato atual de fornecimento de refeições ao sistema prisional do Amapá foi rescindido pelo governo estadual após a constatação de diversos problemas relacionados à qualidade, quantidade e higiene das refeições entregues. O contrato vigente tem término previsto para 15 de março de 2026, mas para evitar qualquer risco de desabastecimento durante a transição, o Iapen decidiu abrir uma nova disputa contratual.

A situação cria um cenário de urgência, pois qualquer interrupção no fornecimento de alimentos poderia gerar graves problemas de ordem pública e humanitária nas unidades prisionais do estado. A decisão judicial busca equilibrar a necessidade de continuidade do serviço com a obrigação de garantir que os padrões mínimos de qualidade e segurança sejam rigorosamente observados.

Agora, o Iapen tem menos de um dia para apresentar todas as comprovações exigidas pela Justiça, sob pena de enfrentar consequências jurídicas e operacionais que poderiam impactar diretamente o funcionamento do sistema prisional amapaense.

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