Gilmar Mendes suspende quebra de sigilo da empresa da família de Toffoli no STF
Gilmar Mendes suspende quebra de sigilo de empresa de Toffoli

Ministro do STF suspende decisão da CPI sobre empresa da família de Toffoli

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta quinta-feira uma decisão da CPI do Crime Organizado do Senado e suspendeu a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, que pertence ao ministro Dias Toffoli e seus irmãos, José Carlos e José Eugênio. A medida havia sido aprovada pela comissão parlamentar na quarta-feira (25), autorizando a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa.

Argumentação jurídica e precedente de 2021

Os advogados da Maridt direcionaram um recurso ao gabinete de Gilmar Mendes, argumentando que havia conexão com um caso relatado por ele em 2021, quando o ministro anulou uma decisão da CPI da Covid que quebrou sigilos de uma empresa não ligada ao objeto da investigação. Mendes viu relação entre os episódios e usou o caso, arquivado há três anos, como referência para suspender a medida contra a Maridt.

Em sua decisão, o ministro afirmou: "Qualquer espécie de produção probatória (quebra de sigilos, depoimentos, elaboração de relatórios) em circunstâncias desconexas ou alheias ao ato de instauração de uma CPI configura flagrante desvio de finalidade e abuso de poder". Ele destacou que a imposição de medidas restritivas só se justifica quando há nexo de pertinência com o objeto que legitimou a criação da comissão.

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Gilmar Mendes apontou um "salto lógico e jurídico" na decisão dos parlamentares, declarando: "Sob o pretexto de combater o crime organizado, a Comissão decreta a quebra de sigilos e a produção de relatórios sem a indicação de um único elemento concreto que vincule a Maridt aos fatos narrados no requerimento de criação".

Posicionamento da CPI e reações políticas

Em nota, o presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT), defendeu a medida aprovada pelo colegiado. "A Comissão encontrou nexo causal entre a investigação envolvendo o Banco Master e o plano de trabalho aprovado, que prevê de forma expressa a apuração do uso de instituições financeiras pelo crime organizado", afirmou o senador.

Contarato disse que, ao receber oficialmente a decisão de Gilmar Mendes, "dará conhecimento aos membros da comissão e que juntos vão avaliar com responsabilidade os caminhos processuais cabíveis".

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB), autor do pedido de quebra de sigilo, declarou que a decisão foi aprovada por unanimidade, com fundamentação baseada em elementos que indicam possível vínculo da empresa com os casos Reag e Master, além de notícias consistentes sobre movimentações financeiras suspeitas. Vieira chamou de "flagrante absurdo" o fato de a Maridt recorrer a Gilmar Mendes em um processo arquivado desde 2023 e não ao relator do caso Master, ministro André Mendonça, e afirmou que vai recorrer.

Contexto da Maridt e decisões anteriores

A Maridt Participações vendeu parte das cotas que tinha no resort Tayayá, no Paraná, para um fundo controlado pela Reag, que tem ligações com o Banco Master. A empresa da família Toffoli entrou com um pedido no STF para suspender a quebra dos sigilos, alegando que não tem nenhuma relação com o crime organizado e que não poderia ser afetada por uma decisão da CPI que investiga facções e milícias.

Anteriormente, o ministro André Mendonça já havia atendido a um pedido dos advogados dos irmãos de Toffoli, decidindo que José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli não são obrigados a prestar depoimento à CPI do Crime Organizado. Mendonça afirmou que levou em consideração a jurisprudência de que um investigado tem o direito a não se autoincriminar.

O caso continua em desenvolvimento, com a CPI avaliando possíveis recursos e o STF mantendo sua posição sobre os limites das investigações parlamentares.

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