Morre aos 73 anos Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e Segurança Pública
Ex-ministro Raul Jungmann morre aos 73 anos em Brasília

O corpo do ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann foi velado de forma reservada nesta segunda-feira (19), em Brasília. A cerimônia, que atendeu a um pedido pessoal do próprio Jungmann, contou com a presença de familiares e amigos próximos. Ele faleceu no domingo (18), aos 73 anos, após dois anos de tratamento contra um câncer no pâncreas.

Uma vida dedicada ao serviço público

Nascido em Recife, Raul Jungmann teve uma extensa e diversificada carreira na vida pública brasileira, ocupando pastas ministeriais em governos de diferentes espectros políticos. Sua atuação começou ainda durante o período da ditadura militar, como militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Nos anos 1990, foi um dos fundadores do PPS, partido pelo qual foi eleito deputado federal por três mandatos. Ao longo de sua trajetória, também comandou importantes órgãos federais, como o Ibama e o Incra.

Quatro passagens pelo ministério

Jungmann acumulou experiência em quatro pastas ministeriais distintas. No governo de Fernando Henrique Cardoso, ele esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e, posteriormente, do Ministério de Políticas Fundiárias.

Já durante a gestão de Michel Temer, assumiu o comando do Ministério da Defesa. Mais tarde, em uma reforma ministerial, tornou-se o primeiro e único ocupante do cargo de ministro da Segurança Pública, função criada na época. Desde 2022, presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Repercussão e legado de diálogo

A notícia de sua morte gerou ampla comoção no meio político e entre colegas de profissão. Personalidades públicas destacaram seu perfil conciliador e seu compromisso com o país.

O general Tomás Paiva, comandante do Exército, definiu Jungmann como um "homem público, democrata" e uma pessoa equilibrada, cuja falta será sentida. O ministro do STF, Gilmar Mendes, foi além e o considerou "um dos maiores homens públicos que o Brasil produziu".

Nas redes sociais e em notas oficiais, a homenagem foi unânime. O ex-presidente Michel Temer ressaltou seu serviço à nação, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta, lembrou que a Casa concedeu a Jungmann uma moção de louvor.

O Instituto Brasileiro de Mineração emitiu nota enfatizando que o ex-ministro será lembrado pelo legado de diálogo e ética que deixa para o setor e para a vida pública. Seu filho, Bruno Jungmann, sintetizou o sentimento da família ao declarar: "Antes de tudo meu pai foi um grande brasileiro. Um político incansável que pensou em várias estratégias de como construir um Brasil melhor".

A trajetória de Raul Jungmann, marcada por transições políticas e uma dedicação ininterrupta a cargos de grande responsabilidade, se encerra deixando uma marca de profissionalismo e busca pelo consenso na administração pública federal.