TCE suspende licitação de R$ 1,3 bi para alimentação de presos no Rio por irregularidades
TCE suspende licitação de R$ 1,3 bi para alimentação de presos no Rio

TCE suspende licitação bilionária para alimentação de presos no Rio de Janeiro

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) determinou a suspensão imediata de uma licitação da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) que estimava o custo de R$ 1,3 bilhão para contratação de empresas que forneceriam alimentação aos presos do sistema penitenciário fluminense. O pregão eletrônico estava marcado para ocorrer no próximo dia 2 de abril, mas foi interrompido por decisão monocrática do conselheiro José Gomes Graciosa, nesta quinta-feira (27).

Problemas apontados em representações anteriores

Segundo o TCE, o novo processo manteve problemas apontados em três representações protocoladas na Corte de Contas, que tratam de possíveis irregularidades, restrições à competitividade e falhas de transparência. O contrato previa a prestação contínua de serviços de alimentação e nutrição, incluindo preparo e fornecimento de refeições transportadas para unidades prisionais do estado, que atualmente custodia mais de 41 mil detentos.

Principais irregularidades destacadas

Entre os principais problemas destacados pelo conselheiro Graciosa estão:

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  • Violação ao princípio da transparência na pesquisa de preços
  • Critério de julgamento pelo menor preço global por lote com itens de naturezas distintas
  • Exigência de pré-qualificação obrigatória, considerada potencialmente restritiva à concorrência
  • Divergência de datas da sessão pública
  • Conflito entre cláusulas do edital e do termo de referência
  • Multas administrativas consideradas desproporcionais
  • Possíveis ilegalidades nas regras de reajuste de preços

Risco iminente aos cofres públicos

Na avaliação do conselheiro, há indícios suficientes de ilegalidade e risco iminente de dano aos cofres públicos, especialmente em razão do alto valor do contrato e da proximidade da data marcada para a sessão pública — agendada para a véspera de um feriado. "Mostra-se urgente a atuação preventiva desta Corte de Contas", afirmou Graciosa na decisão, ao justificar a suspensão do edital até o julgamento definitivo do mérito.

Defesa da secretária e decisão do TCE

Em manifestação, a secretária Maria Rosa Lo Duca Nebel defendeu a legalidade da licitação e contestou as denúncias apresentadas pelas empresas. Mesmo assim, Graciosa decidiu suspender o novo edital até uma análise mais aprofundada. De acordo com a decisão, embora o edital anterior tenha sido anulado pela Seap sob a justificativa de falhas operacionais no sistema SIGA-RJ, a administração divulgou um novo edital sem que as irregularidades levantadas fossem analisadas de forma exaustiva pelo Tribunal de Contas.

Determinações do Tribunal de Contas

Além de suspender o pregão, o TCE determinou que:

  1. A Seap não adjudique, homologue nem celebre qualquer contrato relacionado à licitação enquanto a análise não for concluída
  2. A secretaria terá 15 dias para prestar esclarecimentos detalhados sobre as irregularidades apontadas
  3. Será realizada uma diligência interna para que a Secretaria-Geral de Controle Externo faça uma análise ampla do novo edital
  4. Após essa etapa, o processo será encaminhado ao Ministério Público de Contas

Procurada, a Seap ainda não se manifestou sobre a decisão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.

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