RioPrevidência aplicou mais de 25% dos recursos no Grupo Master, totalizando R$ 2,6 bilhões
RioPrevidência aplica R$ 2,6 bi no Grupo Master, diz PF

RioPrevidência aplicou mais de 25% dos recursos no Grupo Master, totalizando R$ 2,6 bilhões

O fundo de aposentadorias dos servidores do estado do Rio de Janeiro, o RioPrevidência, está sob investigação da Polícia Federal após aplicar um montante total de R$ 2,6 bilhões em ativos vinculados ao Grupo Master. Essa quantia, investida entre novembro de 2023 e julho de 2025, representa mais de 25% dos recursos aplicados pela autarquia, levantando sérias suspeitas de gestão temerária e violação de princípios de prudência financeira.

Detalhes das aplicações e alertas ignorados

As aplicações incluem R$ 970 milhões em títulos de renda fixa emitidos diretamente pelo Banco Master em um intervalo de oito meses, além de cotas em fundos de investimento administrados pela instituição. Um desses fundos, o ARENA Fundo de Investimento em Renda Fixa Título Público, tem o RioPrevidência como único cotista, com aportes que ultrapassam R$ 1,1 bilhão. Somadas a outras três aplicações similares, o valor total chega a R$ 2.618.320.561,36.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) já havia identificado, em 2024, uma série de irregularidades graves na gestão do RioPrevidência. Entre as falhas apontadas estavam:

  • Alta concentração de risco, com violação do princípio de dispersão de ativos
  • Aporte em ativos de alto risco, desrespeitando normas previdenciárias
  • Falta de publicação correta de operações financeiras
  • Ultrapassagem de limites legais para aplicações em fundos de investimento

Investigação policial e defesa da autarquia

Os problemas motivaram uma petição protocolada em novembro de 2025 pelo deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) à Polícia Federal, pedindo a apuração de crimes como corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. O parlamentar afirmou que se tratava de uma ação política criminosa deliberada para direcionar recursos dos aposentados ao Banco Master, ignorando a legislação de segurança previdenciária.

Em resposta, o RioPrevidência divulgou uma nota em novembro de 2025, negando que o Banco Master tenha sido destinatário de mais de R$ 2,6 bilhões em investimentos. A autarquia confirmou apenas a aplicação de R$ 960 milhões em Letras Financeiras emitidas pela instituição entre outubro de 2023 e agosto de 2024, atribuindo o cálculo maior a um erro do TCE-RJ.

Operação Barco de Papel e próximos passos

Nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Barco de Papel, cumprindo quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. Os alvos incluem:

  1. Deivis Marcon Antunes, presidente do RioPrevidência
  2. Euchério Rodrigues, ex-diretor de investimentos
  3. Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos

A operação foi autorizada pela 6.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e mira possíveis crimes de gestão temerária. Enquanto isso, questões sobre se a autarquia desconsiderou valores investidos indiretamente ou se parte do montante foi resgatado permanecem em aberto, após o presidente do fundo não comparecer a uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio.