PF desarticula esquema de R$ 365 milhões em fraudes na previdência da Celesc
PF desarticula fraude de R$ 365 milhões na previdência da Celesc

PF desarticula esquema milionário que desviou recursos de aposentadorias da Celesc

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (8) a Operação Sem Lastro, que investiga um complexo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Fundação Celos, entidade responsável pela administração da previdência complementar dos servidores da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Segundo as investigações, valores destinados às aposentadorias dos funcionários da concessionária de energia foram aplicados em fundos de investimento de alto risco e baixa qualidade, classificados como irrecuperáveis, gerando um prejuízo total estimado em R$ 365 milhões.

Esquema utilizava empresas laranjas e imóveis para ocultar patrimônio

Conforme o delegado Christian Barth, responsável pelas investigações, o principal alvo da operação é um ex-diretor financeiro da fundação, cujo nome não foi divulgado. A PF identificou que, logo após as aplicações suspeitas serem realizadas, o investigado apresentou um crescimento patrimonial incompatível com sua renda declarada. "Essa empresa identificada não possui lastro financeiro para a compra desses imóveis. Então, estamos diante de uma clara tipologia de crime de lavagem de dinheiro", afirmou Barth em entrevista à NSC TV.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois endereços vinculados aos suspeitos em Florianópolis. A PF também determinou o sequestro de mais de 30 imóveis e o bloqueio de valores que podem chegar aos R$ 365 milhões. As investigações apontam que os imóveis foram adquiridos por uma empresa registrada em nome de familiares do principal responsável pelos investimentos, caracterizando uma empresa laranja utilizada para ocultar os recursos desviados.

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Fundos de investimento serviam como canal para desvio de recursos

O esquema funcionava através da aplicação do dinheiro das aposentadorias em ativos financeiros que, no papel, geravam prejuízos. Na prática, esses investimentos serviam como um caminho para desviar os recursos. Após a entrada do dinheiro nos fundos, empresas ligadas aos papéis movimentavam os valores através de diversas operações, dificultando o rastreamento, até que parte retornasse de forma oculta para os gestores envolvidos.

A repetição desse padrão e as fraudes nas decisões de investimento indicam, segundo a PF, o pagamento de vantagens indevidas aos administradores. A operação busca atingir diretamente o núcleo patrimonial do esquema, interrompendo o fluxo financeiro ilícito e preservando recursos para eventual ressarcimento dos prejuízos gerados aos servidores da Celesc.

Celos afirma que fraudes ocorreram há mais de 15 anos

Em nota oficial, a Fundação Celos esclareceu que as investigações da Polícia Federal têm como foco decisões de gestão ocorridas entre 2004 e 2011, envolvendo ex-gestores da entidade. A fundação destacou que nenhum membro da atual diretoria ou dos conselhos é alvo das suspeitas e que as operações investigadas não possuem relação com a carteira de investimentos atualmente administrada.

"Os ativos que compõem os portfólios dos planos previdenciários e de saúde são periodicamente avaliados e acompanhados pelos órgãos de governança da Fundação, em conformidade com a regulamentação vigente", afirmou a Celos. A entidade também ressaltou que tem colaborado com as autoridades ao longo dos anos, incluindo a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e a própria Polícia Federal.

A Celesc é uma sociedade de economia mista, controlada pelo governo de Santa Catarina e que também recebe capital privado. A previdência complementar administrada pela Celos trata-se de um modelo facultativo e desvinculado do INSS, que permite aos servidores acumular recursos para aumentar a renda na aposentadoria.

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