A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia do Ministério Público do DF contra oito pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de pirâmide financeira com empréstimos consignados de militares. Pelo menos 17 militares foram identificados como vítimas. O prejuízo estimado é de mais de R$ 1,3 milhão. Com a decisão da Justiça, eles se tornam réus e serão levados a julgamento. A data ainda será marcada.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o grupo atuou entre maio de 2021 e março de 2023, no DF, por meio de uma empresa chamada Sacredi Brasília. Os suspeitos prometiam ganhos de 6% a 12% ao mês com supostos investimentos — que, na verdade, não existiam. De acordo com o MP do DF, para dar aparência de legalidade, os investigados apresentavam contratos registrados em cartório e com testemunhas. Ainda assim, nenhum valor era aplicado de fato no mercado financeiro.
O dinheiro das vítimas era distribuído entre contas de integrantes do grupo e empresas de fachada. Uma dessas empresas, com nome parecido e sede em Goiânia, movimentou milhões em transações consideradas suspeitas. O MP do DF também pediu a apreensão de bens ligados ao esquema e a fixação de um valor mínimo de R$ 1,3 milhão para ressarcimento das vítimas.
Participação de militar
As investigações apontam que um suboficial da ativa ajudava o grupo. Ele trabalhava no setor de consignações da Aeronáutica e teria usado acesso a dados sigilosos para indicar possíveis vítimas. Em troca, segundo o MP, ele recebia comissões. Foram identificadas 36 transferências para o militar, que somam mais de R$ 22 mil.
A denúncia apontou corrupção passiva militar, que por se tratar de crime militar praticado por militar da ativa no exercício de função institucional, deve ser analisada pela Justiça Militar da União. A participação do suboficial nos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, caracterizados como infrações comuns, serão julgados pela Justiça comum.
Crimes e próximos passos
Os denunciados respondem por crimes contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O g1 tentou localizar a empresa Sacredi Brasília, mas não conseguiu contato até a última atualização desta reportagem. O esquema parou de funcionar em março de 2023, quando os pagamentos foram interrompidos.



