Zelensky faz apelo direto a Trump e reafirma posição firme da Ucrânia
Em pronunciamento marcante realizado nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um apelo público para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visite Kiev e testemunhe pessoalmente os efeitos devastadores da guerra. O discurso ocorreu exatamente no quarto aniversário da invasão russa em larga escala iniciada por Vladimir Putin em 2022.
Convite direto e mensagem clara a Washington
Durante seu pronunciamento de 18 minutos, Zelensky foi enfático ao estender o convite a Trump, que ainda não visitou a Ucrânia desde seu retorno à Casa Branca. "Só vindo à Ucrânia, vendo nossa vida e nossa luta, sentindo nosso povo e a dimensão dessa dor, é possível entender do que realmente se trata esta guerra", declarou o líder ucraniano.
O presidente aproveitou para enviar uma mensagem clara sobre as negociações de paz, afirmando que "não podemos anular todos esses anos de luta, coragem e dignidade". Ele rejeitou publicamente qualquer possibilidade de concessões territoriais à Rússia, especialmente nas regiões do Donbass que estão parcialmente ocupadas por forças russas desde 2014.
Análise do conflito e críticas a Putin
Zelensky foi categórico ao avaliar o desempenho russo no conflito: "Ele não venceu esta guerra. Preservamos a Ucrânia e faremos tudo para alcançar a paz. E garantir justiça", disse, referindo-se diretamente a Vladimir Putin.
O líder ucraniano destacou que, incapaz de obter vitórias significativas no campo de batalha, o governo russo intensificou ataques contra infraestrutura civil. "Ele está lutando contra prédios residenciais e usinas de energia", afirmou, referindo-se aos recentes bombardeios que deixaram milhões de ucranianos sem energia elétrica durante um dos invernos mais rigorosos das últimas décadas.
Contexto político internacional
A posição de Zelensky surge em um momento delicado das relações internacionais. Nos últimos meses, Trump tem demonstrado um tom ambíguo em relação ao conflito, com relatos indicando que poderia pressionar Kiev a aceitar concessões territoriais. Paralelamente, o apoio americano à Ucrânia enfrenta resistência crescente no Congresso dos Estados Unidos.
Enquanto isso, a União Europeia mantém seu apoio firme a Kiev. Nesta mesma terça-feira, Zelensky recebeu em sua capital líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além de chanceleres e primeiros-ministros de países nórdicos e bálticos. O grupo discutiu novas medidas de apoio militar e financeiro para a Ucrânia.
Memória e simbolismo do conflito
O vídeo divulgado pela presidência ucraniana mostrou momentos significativos, incluindo a deposição de flores na Praça Maidan em homenagem aos militares mortos desde o início da guerra. Zelensky também relembrou um dos episódios mais marcantes dos primeiros dias da invasão, quando recusou uma oferta americana para deixar o país com a frase que se tornou emblemática: "Preciso de munição, não de carona".
Dados das Nações Unidas indicam que milhares de civis morreram desde o início da invasão, além de dezenas de milhares de militares de ambos os lados. O conflito também provocou a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com milhões de ucranianos forçados a deixar suas casas.