Ucrânia recupera 460 km² de território pela primeira vez desde 2023 na guerra contra a Rússia
Ucrânia recupera território pela 1ª vez desde 2023 na guerra

Ucrânia conquista avanço territorial inédito em três anos de conflito com a Rússia

Pela primeira vez desde o ano de 2023, as forças armadas da Ucrânia conseguiram recuperar o controle de territórios que estavam sob domínio russo, marcando um momento histórico no prolongado conflito entre as duas nações. De acordo com autoridades de Kiev, quase todo o território foi recuperado desde o início de 2026, representando uma virada significativa na dinâmica da guerra.

Contra-ataques ucranianos recuperam 460 km² de território

Na terça-feira, 10 de março de 2026, as forças ucranianas anunciaram ter recuperado o controle quase total da região leste de Dnipropetrovsk e recapturado aproximadamente 400 quilômetros quadrados de território em uma série de contra-ataques recentes. O presidente Volodymyr Zelensky, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, afirmou que os ganhos de Kiev totalizaram impressionantes 460 km² desde janeiro, o que representa cerca de 10% do território perdido para Moscou no ano anterior.

Os avanços seguem semanas de operações militares ucranianas que começaram no final de janeiro e se intensificaram ao longo de fevereiro. A retomada ucraniana foi particularmente bem-sucedida ao leste do Oblast de Dnipropetrovsk, onde a presença militar russa foi reduzida a apenas três cidades remanescentes. Na província vizinha de Zaporizhia, onde Moscou ocupava quase 75% da área total, Kiev conseguiu recuperar nove cidades desde o início do ano.

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Dificuldades russas em repor perdas humanas impulsionam avanço ucraniano

Segundo análise de especialistas e autoridades militares, a principal razão para os ganhos territoriais de Kiev se deve ao número relevante de perdas humanas por parte do exército russo e à incapacidade do Kremlin em repor adequadamente suas tropas na linha de frente. "Há três meses, eles não têm com o que formar suas reservas", afirmou o tenente-general Ihor Romanenko, antigo vice-chefe do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia.

Zelensky destacou ao Corriere della Sera que "a Rússia está perdendo muitas pessoas, até 35.000 por mês", acrescentando que "as perdas equivalem ao número de soldados recém-mobilizados". O presidente ucraniano avalia que o exército russo parou de crescer e está "imobilizado, próximo da crise", sugerindo que quando as forças militares de Moscou começarem a diminuir significativamente, "negociações sérias começarão".

Análises divergentes sobre a significância dos ganhos territoriais

Enquanto autoridades ucranianas celebram os avanços, analistas internacionais apresentam avaliações variadas sobre a real dimensão dos ganhos territoriais:

  • O think tank americano Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) aponta a recuperação de 257 km² de área, admitindo que o cálculo exato é difícil devido ao grande número de regiões de controle indeterminado e uma linha de frente pulverizada.
  • O tenente-general Ihor Romanenko classifica os ganhos como "táticos, mas significativos", alertando porém que o exército russo segue progredindo em direção a áreas-chave no disputado Oblast de Donetsk.
  • Para o pesquisador Nikolay Mitrokhin, da Universidade de Bremen, os ganhos ucranianos "dificilmente podem ser chamados de significativos", mesmo considerando o sucesso modesto do exército russo.

Desafios no recrutamento militar russo

Apesar de ter conseguido mobilizar um alto número de recrutas em 2025, com números mensais que se aproximavam de 60 mil em alguns períodos, Moscou tem enfrentado sérias dificuldades para compor suas tropas em 2026. Nem mesmo os generosos bônus de assinatura, na casa de dezenas de milhares de dólares, têm sido suficientes para repor o contingente necessário para a linha de frente.

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Entre os fatores por trás da queda no recrutamento estão as dificuldades financeiras provocadas pelas sanções ocidentais. Analistas observam que, apesar do cenário adverso, o presidente Vladimir Putin parece cauteloso em ordenar uma mobilização em larga escala, temendo uma reação negativa da população russa. "Putin tem medo de realizar uma mobilização total. Ele está procurando outros caminhos", afirmou Romanenko em entrevista à emissora catari Al-Jazeera.

O major-general Oleksandr Komarenko, durante um discurso televisionado na terça-feira 10, declarou com otimismo que "quase todo o território de Dnipropetrovsk foi libertado", sinalizando um possível ponto de inflexão na guerra que já dura anos. Enquanto isso, especialistas continuam monitorando se esta recuperação territorial representa o início de uma mudança mais ampla no equilíbrio de forças no conflito entre Ucrânia e Rússia.