Presidente norte-americano busca aliados para garantir passagem marítima estratégica
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou neste domingo, 15 de março de 2026, que exigiu formalmente que aproximadamente sete países enviem navios de guerra para manter o Estreito de Ormuz aberto à navegação. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, enquanto retornava da Flórida para Washington. Trump, no entanto, admitiu que seus apelos ainda não receberam compromissos concretos dos governos contatados, mesmo com os preços do petróleo atingindo níveis recordes durante o conflito em curso com o Irã.
Estreito é vital para economia global
O Estreito de Ormuz representa uma das rotas marítimas mais críticas do mundo, por onde transita cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado globalmente. Trump se recusou a identificar quais países fortemente dependentes do petróleo do Oriente Médio estão sendo negociados para formar a coalizão de patrulha, mas foi enfático ao afirmar que "Estou exigindo que esses países venham e protejam seu próprio território, porque é o território deles". O presidente norte-americano destacou que os Estados Unidos não necessitam dessa rota marítima, já que possuem acesso próprio ao petróleo, ao contrário de nações como a China, que recebe aproximadamente 90% de seu petróleo pelo estreito.
Respostas internacionais variam de cautelosas a negativas
Enquanto Trump busca formar a coalizão, as respostas internacionais têm sido marcadas por cautela. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, confirmou diálogos com alguns dos países mencionados e expressou esperança de que a China "seja um parceiro construtivo" na reabertura do estreito. O Reino Unido informou que o primeiro-ministro Keir Starmer discutiu com Trump a importância de reabrir a via marítima, enquanto a China, através de seu porta-voz da embaixada nos EUA, Liu Pengyu, afirmou que "todas as partes têm a responsabilidade de garantir um fornecimento de energia estável" e que fortalecerá a comunicação para reduzir tensões.
A Coreia do Sul declarou que "tomou nota" do pedido e coordenará com os EUA, e há expectativa de que Trump faça solicitação direta ao Japão durante reunião com a primeira-ministra Sanae Takaichi na quinta-feira. A França mencionou trabalhar com parceiros europeus, indianos e asiáticos em possível missão internacional, mas condicionou a participação à diminuição dos combates. Já a Alemanha foi mais direta, com o ministro das Relações Exteriores Johann Wadephul questionando: "Em breve faremos parte ativa desse conflito? Não."
Posição iraniana mantém confrontação
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou à CBS que Teerã foi "procurado por vários países" buscando passagem segura e que cabe às forças armadas iranianas decidir sobre autorizações. Araghchi reforçou que o estreito está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e seus aliados, e descartou diálogos com os americanos para encerrar a guerra, acusando Israel e EUA de iniciarem os combates com ataques coordenados em 28 de fevereiro durante negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Conflito se intensifica com novos ataques
Enquanto as negociações diplomáticas avançam lentamente, o conflito militar continua escalando. Países árabes do Golfo, incluindo Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein, relataram novos ataques com mísseis ou drones, um dia após o Irã pedir evacuação de três grandes portos nos Emirados Árabes Unidos. Teerã acusou os EUA de lançar ataques contra a ilha de Kharg, onde fica seu principal terminal petrolífero, a partir dos Emirados, ameaçando retaliar contra infraestruturas "petrolíferas, econômicas e energéticas" ligadas aos americanos.
Impacto humanitário cresce na região
O custo humano da guerra se torna cada vez mais evidente. Ataques iranianos mataram pelo menos uma dúzia de civis em países do Golfo, principalmente trabalhadores migrantes. No Irã, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha registrou mais de 1.300 mortes, com o Ministério da Saúde local informando que 223 mulheres e 202 crianças estão entre os mortos. Em Israel, 12 pessoas faleceram por ataques de mísseis iranianos, enquanto pelo menos 13 militares americanos morreram, seis deles em acidente aéreo no Iraque.
No Líbano, a situação é particularmente grave, com pelo menos 820 mortes registradas desde que o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, atacou Israel, provocando resposta militar israelense. Em apenas dez dias, mais de 800 mil libaneses - quase um em cada sete habitantes - foram deslocados de suas casas, criando uma crise humanitária de grandes proporções.
Medidas emergenciais para conter preços do petróleo
Diante da escalada do conflito e do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, a Agência Internacional de Energia anunciou no domingo que estoques emergenciais de petróleo "logo começarão a chegar aos mercados globais" em uma ação coletiva descrita como "de longe a maior já realizada". A agência atualizou para quase 412 milhões de barris a quantidade a ser liberada, com países asiáticos planejando liberar estoques "imediatamente" e reservas da Europa e das Américas começando a ser disponibilizadas "a partir do fim de março".
Enquanto isso, novos ataques iranianos contra Israel continuam. Os militares israelenses relataram na madrugada de segunda-feira que o Irã lançou mísseis em direção ao país, com vários ataques atingindo o centro de Israel e a área de Tel Aviv, causando danos em 23 locais. As forças de defesa israelenses afirmam que o Irã está utilizando bombas de fragmentação capazes de escapar de algumas defesas aéreas, aumentando a letalidade dos ataques.
