Trump sinaliza abertura para diálogo com Irã, mas Teerã mantém postura beligerante
Em uma declaração que contrasta com a postura oficial do governo iraniano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 10 de março de 2026, que estaria aberto à possibilidade de diálogo com os líderes do Irã. Durante entrevista à emissora Fox News, Trump declarou: "estou ouvindo que eles querem muito conversar", referindo-se às autoridades iranianas.
Contraste entre declarações de Trump e posição iraniana
O mandatário norte-americano reforçou que não está "feliz" com a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, substituindo seu pai, Ali Khamenei, morto em ataques recentes. No entanto, Trump deixou em aberto a possibilidade de negociações, afirmando: "É possível, depende dos termos. É possível, apenas possível. Se você parar para pensar, nós talvez não precisamos conversar mais, mas é possível".
Essa fala, entretanto, encontra resistência direta nas declarações do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Em entrevista ao canal americano PBS News, o chanceler iraniano foi categórico ao afirmar que as negociações com Washington "já não estão na agenda" e que o país prosseguirá com os ataques contra os Estados Unidos e Israel "pelo tempo que for necessário".
Irã defende continuidade dos ataques e rejeita cessar-fogo
Araghchi advertiu ainda que nenhum litro de petróleo do Golfo será exportado enquanto a guerra prosseguir, um conflito que, segundo Trump, "terminará em breve". O chanceler acrescentou: "Estamos preparados para continuar os ataques com mísseis contra eles pelo tempo que for necessário e sempre que for necessário".
Essa postura já havia sido manifestada no domingo, antes mesmo da confirmação de Mojtaba Khamenei como novo líder. Na ocasião, Araghchi rechaçou apelos por um cessar-fogo durante entrevista à NBC News, declarando que o Irã precisa "continuar lutando pelo bem do nosso povo". O diplomata acusou os Estados Unidos e Israel de matar civis iranianos, incluindo estudantes, e atacar hospitais, taxando ambos os países como não confiáveis por violarem tréguas anteriores.
Contexto do conflito e estratégia iraniana
Em resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, que começaram em 28 de fevereiro, o Irã iniciou uma ampla campanha retaliatória contra o território israelense e as nações do Golfo que abrigam bases militares americanas. Embora o regime dos aiatolás tenha negado que as ricas monarquias sejam seu alvo principal, autoridades árabes afirmaram à NBC News que os ataques a instalações petrolíferas são propositais e visam aumentar os preços globais de energia para pressionar a Casa Branca e o governo israelense a interromperem o conflito.
Araghchi defendeu a necessidade de um "fim permanente para a guerra", argumentando: "A menos que cheguemos a isso, acho que precisamos continuar lutando pelo bem do nosso povo e pela nossa segurança". Essa posição reforça a complexidade do cenário geopolítico no Oriente Médio, onde declarações de abertura ao diálogo por parte de Trump se chocam com a firmeza beligerante de Teerã.
