Trump declara guerra ao Irã 'praticamente concluída' enquanto conflito atinge 10º dia
Trump diz guerra ao Irã 'praticamente concluída' em 10º dia

Conflito no Oriente Médio entra em nova fase com declarações contraditórias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração surpreendente nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, afirmando que a guerra contra o Irã está "praticamente concluída". Em entrevista à emissora americana CBS, o líder republicano foi enfático ao descrever o que chamou de colapso militar iraniano.

"Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea", declarou Trump. "Os drones estão sendo destruídos por toda parte, inclusive as fábricas de drones. Se você olhar, não sobrou nada do ponto de vista militar".

Resposta iraniana mantém postura beligerante

Enquanto Trump anunciava o fim iminente das hostilidades, o Ministério das Relações Exteriores do Irã voltava a rejeitar qualquer possibilidade de cessar-fogo. A posição foi reforçada após a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, sucedendo seu pai Ali Khamenei, assassinado no início do conflito.

O porta-voz Esmaeil Baghaei foi categórico: "Estamos no décimo primeiro dia de agressão militar por parte dos Estados Unidos e do regime sionista. Não começamos esta guerra". Ele acrescentou que, enquanto os ataques continuarem, "há pouco espaço para falar sobre qualquer coisa além de defesa e uma resposta contundente ao inimigo".

Contexto histórico e escalada recente

O conflito atual teve início em 28 de fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos. Trump havia previsto inicialmente que as operações durariam entre quatro e cinco semanas, mas sua declaração atual sugere uma conclusão mais rápida.

No domingo, 8 de março, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, já havia rejeitado apelos por trégua em entrevista à NBC News. "Os Estados Unidos e Israel estão matando nosso povo, estão matando estudantes, estão atacando hospitais", denunciou o diplomata.

Araghchi lembrou que ambos os países violaram a trégua que encerrou um conflito semelhante em junho de 2025, que durou 12 dias. "E agora vocês querem pedir um cessar-fogo novamente? Isso não funciona assim", questionou, defendendo que "é preciso haver um fim permanente para a guerra".

Consequências econômicas e ataques estratégicos

Nesta segunda-feira, o conflito atingiu diretamente a economia global quando um ataque iraniano provocou explosões e incêndio na refinaria de Al Ma'ameer, principal instalação petrolífera do Bahrein. A estatal Bapco Energies invocou a cláusula de "força maior" para limitar exportações e priorizar o mercado interno.

Com esta medida, o Bahrein junta-se ao Catar e ao Kuwait na suspensão de vendas de petróleo para o exterior, contribuindo para que o preço do barril ultrapasse US$ 100 desde o início das hostilidades há dez dias.

As autoridades árabes afirmaram à NBC News que os ataques a instalações petrolíferas são propositais e visam aumentar os preços globais de energia para pressionar Washington e Tel Aviv a interromperem o conflito. Embora o regime iraniano negue que as monarquias do Golfo sejam alvos diretos - restringindo-os a ativos ligados aos Estados Unidos -, o impacto econômico é inegável.

Campanha retaliatória e perspectivas futuras

Em resposta aos ataques americanos e israelenses, o Irã iniciou uma ampla campanha retaliatória contra território israelense e nações do Golfo que abrigam bases militares dos Estados Unidos. A estratégia parece combinar ações militares diretas com pressão econômica através do mercado energético.

Enquanto Trump proclama vitória iminente, as declarações iranianas e os acontecimentos no terreno sugerem que o conflito está longe de terminar. A escolha do novo líder supremo iraniano e a manutenção da postura beligerante indicam que Teerã não pretende ceder facilmente, mesmo diante das afirmações otimistas do presidente americano.

O décimo dia de guerra revela assim um cenário paradoxal: de um lado, anúncios de conclusão; do outro, escalada de ataques e firmeza na resistência. O Oriente Médio permanece em estado de alerta máximo enquanto o mundo acompanha os desdobramentos deste conflito que já impacta significativamente a economia global.