Trump critica aliados por falta de apoio à coalizão para reabrir Estreito de Ormuz
Trump detona aliados por falta de apoio à reabertura de Ormuz

Trump pressiona aliados por apoio à coalizão para reabertura do Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou forte insatisfação nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, com a resposta considerada "morna" de países aliados ao seu apelo pela formação de uma coalizão internacional destinada a reabrir e proteger o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A via, bloqueada pelo Irã desde o início do conflito no Oriente Médio, é crucial para o transporte de aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente, e seu fechamento provocou uma disparada significativa nos preços do barril nos mercados globais.

Críticas diretas e pressão sobre aliados

Durante conversa com jornalistas, Trump não poupou críticas aos países que, segundo ele, se beneficiaram da proteção americana por décadas, mas agora demonstram relutância em se envolver. "Nós os protegemos há 40 anos, e eles não querem se envolver", declarou o mandatário, acrescentando que "encorajamos fortemente outras nações a se juntarem a nós, e a fazê-lo rapidamente e com grande entusiasmo".

O presidente americano revelou ter solicitado a cerca de sete nações, incluindo China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, o envio de navios de guerra para garantir a segurança da rota marítima. Embora tenha afirmado ter recebido "respostas positivas", Trump admitiu que alguns dos contatados "preferem não se envolver".

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Resistência europeia e posicionamentos divergentes

Os apelos de Trump, no entanto, encontraram resistência imediata de importantes aliados. O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, deixou claro que o conflito no Oriente Médio "não tem nada a ver com a Otan", afastando a possibilidade de uma missão da aliança militar ocidental.

Do outro lado do Canal da Mancha, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que elabora um plano "viável" com aliados para reabrir o estreito, mas garantiu que "isso não será e nunca foi cogitado como uma missão da Otan". Starmer enfatizou que o Reino Unido não se deixará "arrastar para uma guerra mais ampla".

A resistência se estende a outras nações:

  • Austrália e Japão afirmaram não planejar o envio de navios de guerra
  • A China pediu apenas o fim imediato das hostilidades quando questionada
  • França recebeu crítica específica de Trump, que classificou a resposta do presidente Emmanuel Macron como "nota 8, não perfeita"

Abertura iraniana para negociações

Enquanto a pressão diplomática se intensifica, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã está aberta a negociações com países que desejam acessar a passagem com segurança. Em coletiva de imprensa, o chanceler declarou que o Estreito de Ormuz "está fechado apenas para embarcações dos Estados Unidos, de Israel e seus aliados".

"Do nosso ponto de vista, está aberto", afirmou Araghchi. "Está fechado apenas para nossos inimigos, para aqueles que cometeram agressões injustas contra o nosso país e para seus aliados."

Impactos econômicos e situação marítima

Os desenvolvimentos ocorrem em meio a um cenário econômico preocupante. O preço do petróleo atingiu na manhã desta segunda-feira seu patamar mais alto desde outubro de 2022, apesar da Agência Internacional de Energia (AIE) ter liberado 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais.

Um relatório da agência estima que o fornecimento diário do combustível deve cair em 10 milhões de barris, gerando o que qualificou como "a maior perturbação" no setor em toda a história.

No campo marítimo, um petroleiro não iraniano transitou pelo Estreito de Ormuz nesta segunda-feira, segundo o serviço de monitoramento Marine Traffic. O navio Karachi, de bandeira paquistanesa, tornou-se a primeira carga não iraniana a transitar pelo ponto de estrangulamento desde o bloqueio, sugerindo que algumas cargas podem estar recebendo passagem segura negociada.

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Apesar deste movimento isolado, a agência marítima britânica UKMTO mantém o alerta de que o Estreito de Ormuz permanece sob ameaça "crítica". Desde o início do conflito, pelo menos 20 embarcações foram atacadas nas águas do Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Golfo de Omã.

Futuro da Otan em jogo

Trump não hesitou em colocar em risco o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em suas declarações. Em entrevista ao Financial Times, o presidente americano alertou que a aliança militar ocidental enfrentaria "um futuro muito ruim" se os países membros não prestarem auxílio.

"É apropriado que as pessoas que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá", disse Trump, acrescentando que "se não houver resposta ou se for uma resposta negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan".

Enquanto bombardeios continuam a abalar o Oriente Médio e as negociações diplomáticas seguem em curso, a comunidade internacional observa com atenção os desdobramentos de uma crise que já impacta profundamente a economia global e testa as alianças estratégicas estabelecidas há décadas.