Trump ordena ataque à estratégica ilha de Kharg no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (13) que ordenou um bombardeio contra a ilha de Kharg, localizada no Golfo Pérsico, a menos de 25 quilômetros da costa sudoeste do Irã. A decisão ocorre em meio a tensões crescentes entre os dois países, com a ilha sendo considerada um ponto estratégico vital para a economia iraniana.
Infraestrutura petrolífera é poupada
Em comunicado publicado na Truth Social, Trump afirmou que os bombardeios atingiram apenas alvos militares na ilha, descrevendo a operação como tendo "obliterado completamente" todos os objetivos militares. O presidente americano destacou, porém, que decidiu poupar a infraestrutura petrolífera do local, uma medida que analistas consideram crucial para evitar um impacto catastrófico no mercado global de petróleo.
A ilha de Kharg responde por aproximadamente 90% a 95% das exportações de petróleo do Irã, sendo o principal terminal petrolífero do país. Estima-se que cerca de 1,3 milhão de barris de petróleo passem diariamente pelo terminal, que possui capacidade para armazenar até 18 milhões de barris. A China é atualmente o principal destino desse petróleo.
Importância histórica e estratégica
A relevância de Kharg remonta a mais de dois mil anos, desde os tempos do Império Persa. A ilha sempre foi um ponto estratégico no Golfo Pérsico devido às suas fontes de água doce, raras na região, que a transformaram em ponto de parada para embarcações comerciais. Nos séculos 16 e 17, chegou a ficar sob domínio de potências europeias como Portugal e Holanda.
A transformação em centro petrolífero começou na década de 1950, durante o reinado do xá Mohammad Reza Pahlavi, quando foram construídas instalações para armazenamento e distribuição de petróleo. Uma característica geográfica fundamental são as águas profundas ao redor da ilha, que permitem a atracação de grandes petroleiros, algo difícil na costa iraniana de águas rasas.
Reações e ameaças
Trump advertiu que pode reconsiderar a decisão de poupar a infraestrutura petrolífera caso o Irã tente interferir na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. Em sua mensagem, o presidente americano afirmou que o Irã "não tem capacidade de defender nada que os Estados Unidos queiram atacar" e reiterou que o país "nunca terá uma arma nuclear".
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, já havia alertado na quinta-feira (12) que "qualquer agressão dos EUA contra o solo de ilhas iranianas levará ao 'abandono de toda a contenção'" do Irã no conflito. O regime trata Kharg como um dos pontos mais sensíveis da guerra.
Impacto econômico potencial
Analistas internacionais temiam que uma operação militar na região pudesse causar graves consequências. Emmanuel Hache, diretor de pesquisa do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), explicou à RFI que "bombardear ou tomar o controle da ilha simplesmente impediria o Irã de exportar seu petróleo".
A interrupção da produção na ilha poderia colapsar a economia iraniana por décadas, dada a dependência quase total do país das exportações que passam por Kharg. A pequena faixa de terra, com cerca de 8 quilômetros de extensão, recebe petróleo transportado por oleodutos a partir de grandes campos produtores no sudoeste do Irã, onde é armazenado e carregado em navios petroleiros para exportação.



