Trump anuncia cessar-fogo entre Israel e Líbano com duração de dez dias
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nas redes sociais um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, resultado de negociações diretas com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun. O acordo, que entrou em vigor às 18h no horário de Brasília, representa um avanço significativo nas tensões regionais, com Trump destacando também progressos nas conversas de paz com o Irã.
Detalhes do acordo e posições dos líderes
O texto divulgado pelo Departamento de Estado americano estabelece que o prazo do cessar-fogo pode ser estendido e garante a Israel o direito de tomar medidas de autodefesa contra qualquer ataque. Simultaneamente, atribui às forças de segurança do Líbano a responsabilidade única pela soberania e defesa do país. Netanyahu afirmou que os dois países têm uma oportunidade histórica para um acordo, mas reafirmou que o desarmamento do Hezbollah é fundamental para uma paz duradoura. Por enquanto, as tropas israelenses vão permanecer no controle de uma zona de segurança no sul do Líbano.
Trump revelou que Netanyahu e Aoun podem se encontrar nas próximas semanas na Casa Branca, sinalizando um possível aprofundamento do diálogo. O cessar-fogo inclui explicitamente o grupo Hezbollah, um ator-chave no conflito. Nas horas anteriores ao anúncio, os bombardeios continuaram intensos: Israel alvejou a área de Bint Jbeil, um reduto do Hezbollah, enquanto um foguete disparado do Líbano atingiu a cidade de Kiryat Shmona, no norte de Israel, causando danos a veículos.
Reações internacionais e contexto regional
Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o cessar-fogo como um alívio e defendeu o respeito à soberania libanesa. Um porta-voz das Nações Unidas declarou que a organização está pronta a contribuir com missões de paz e espera por um acordo a longo prazo. Este conflito é um desdobramento da guerra mais ampla na região, iniciada com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Embora haja sinais de negociação, o cenário permanece incerto. O bloqueio naval americano ao Estreito de Ormuz continua, e o secretário de Guerra Pete Hegseth advertiu que as forças americanas estão preparadas para retomar operações de combate, podendo atingir a infraestrutura energética iraniana. Trump afirmou que as negociações com o Irã prosseguem no Paquistão e que, se houver um acordo, ele pode viajar para a assinatura em Islamabad. O presidente americano também declarou que o Irã concordou em não possuir armas nucleares e prometeu entregar urânio enriquecido, embora o governo de Teerã não tenha confirmado essas informações.
Críticas do Papa Leão XIV à escalada do conflito
Enquanto governos negociam e tropas se preparam para possíveis confrontos, uma voz influente se levantou contra a escalada da violência. Durante visita a Camarões, o Papa Leão XIV fez um dos discursos mais contundentes desde o início da guerra, criticando aqueles que lucram com conflitos armados. "Os mestres da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir", afirmou.
Sem citar nomes específicos, o Papa acusou um punhado de tiranos de devastar o mundo, destacando os bilhões gastos em mortes e destruição enquanto faltam recursos para saúde e educação. Ele fez um apelo por uma mudança decisiva de rumo e uma verdadeira conversão, concluindo com as palavras: "Bem-aventurados os pacificadores". Seu discurso reforça a pressão internacional por uma solução pacífica e duradoura, em contraste com as incertezas que ainda cercam as negociações na região.



