Trump intensifica ameaças ao Irã com prazo que expira nesta terça-feira
A guerra no Oriente Médio atingiu um momento crítico nesta terça-feira (7), com o prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a reabertura total do Estreito de Ormuz prestes a expirar. Em meio a intensos ataques e ameaças de escalada, o conflito que já dura seis semanas pode entrar em uma fase ainda mais perigosa.
Ultimato renovado e ameaças explícitas
Donald Trump renovou o ultimato ao Irã através de uma publicação em sua rede social Truth Social, onde afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite" caso o prazo não seja atendido. O presidente norte-americano estabeleceu como limite as 21h pelo horário de Brasília desta terça-feira para que o Irã chegue a um acordo com os Estados Unidos.
Em tom ainda mais agressivo, Trump declarou que os iranianos vão "viver no inferno" se as negociações não avançarem. "Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!!", escreveu o presidente, acrescentando: "Abram a p*** do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar!"
Ataques antecipados e resposta iraniana
Antes mesmo da expiração do prazo, os Estados Unidos já atacaram a estratégica ilha de Kharg, no Irã, segundo informações do vice-presidente J.D. Vance. Esta ilha, que armazena aproximadamente 90% de todo o petróleo produzido no país, sofreu seu segundo ataque durante o conflito, embora sua infraestrutura petrolífera tenha sido poupada novamente.
Israel também não esperou o término do ultimato e anunciou ter realizado "amplos ataques" ao redor do território iraniano, atingindo diversos alvos estratégicos:
- Pontes, incluindo uma importante estrutura em Qom
- Sistemas ferroviários e aeroportos
- Edifícios e instalações industriais
- Uma petroquímica em Shihaz
Várias explosões foram registradas em Teerã, com uma delas resultando na morte de nove pessoas segundo a mídia local. Israel emitiu alertas para que iranianos evitem viagens de trem, enquanto ataques a ferrovias já foram confirmados.
O Irã respondeu às ofensivas convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e anunciando que a época de "boa vizinhança" com países do Golfo chegou ao fim. As autoridades iranianas declararam que abandonarão qualquer contenção em novos ataques.
Contexto do conflito e objetivos em jogo
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã já está na sexta semana — exatamente o prazo máximo previsto para a duração do conflito pelo próprio Trump quando a ofensiva começou. Os objetivos declarados pelos EUA incluem garantir que o Irã se comprometa a nunca buscar uma arma nuclear, além de limitar o alcance e o número de mísseis do país.
Trump afirma que os Estados Unidos já venceram a guerra após destruírem parte significativa das Forças Armadas iranianas, incluindo mísseis e lançadores. No entanto, o presidente defende ser necessário "terminar o trabalho" para impedir que o Irã volte a ameaçar os EUA ou seus aliados.
Impactos econômicos e políticos
Apesar dos avanços militares norte-americanos, o Irã vem demonstrando capacidade de resistência ao pressionar a economia global. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz — rota marítima estratégica para o transporte de petróleo — elevou os preços do combustível em diversos países.
O Irã mantém ataques frequentes contra Israel, atingindo cidades como Tel Aviv e Haifa, enquanto países vizinhos acabaram sendo envolvidos no conflito. Teerã tem mirado bases americanas no Oriente Médio e empresas de energia ligadas aos EUA na região.
A reação iraniana tem afetado a popularidade de Trump a poucos meses das chamadas "midterms", eleições que vão renovar grande parte do Congresso norte-americano. Diante de pressões políticas e econômicas, o presidente vem elevando progressivamente o tom das ameaças.
Negociações travadas e riscos de escalada
Irã e Estados Unidos já anunciaram as condições que exigem para encerrar a guerra, mas as negociações continuam paralisadas. Na segunda-feira (6), ambos os países recusaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão, que previa uma pausa nos ataques para permitir a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Irã afirmou que prefere negociar o fim definitivo da guerra, e não uma pausa temporária, e disse ter apresentado uma contraproposta. Trump chegou a elogiar a iniciativa paquistanesa, mas declarou que o plano não era suficiente.
O impasse aumentou os temores de uma escalada no conflito, com possíveis impactos catastróficos:
- Ataques a usinas iranianas poderiam interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas
- Instalações nucleares atingidas poderiam provocar acidentes radiológicos graves
- Retaliações iranianas contra usinas de energia de países vizinhos pressionariam ainda mais os preços do petróleo
- Ataques a usinas de dessalinização colocariam em risco o abastecimento de água para milhões na região
Questionamentos sobre crimes de guerra
Após as ameaças feitas por Trump, o governo do Irã afirmou que as declarações do presidente dos Estados Unidos configuram violações do direito internacional. "O presidente americano, como a mais alta autoridade de seu país, ameaçou publicamente cometer crimes de guerra", escreveu Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã.
Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio, explicou em entrevista que os alvos mencionados por Trump para possíveis ataques são protegidos pelo direito internacional humanitário. "Não há nada no direito internacional dos conflitos ou no direito internacional humanitário que permita que isso seja feito", afirmou o especialista.
Mesmo que um eventual ataque dos EUA ao Irã pudesse ser considerado crime de guerra, uma punição internacional seria improvável, já que o país não integra o Tribunal Penal Internacional (TPI). Além disso, caso uma investigação fosse levada ao Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos poderiam usar o poder de veto para bloquear o processo.
O conflito continua em seu momento mais delicado, com o mundo acompanhando atentamente o que ocorrerá após o término do prazo estabelecido por Trump. As consequências desta terça-feira podem definir não apenas o futuro do Oriente Médio, mas também ter impactos profundos na economia e na geopolítica global.



