Trump ameaça destruir campos de gás do Irã em resposta a ataques ao Catar
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir os campos de gás do Irã se o país continuar com os ataques contra o Catar. A declaração ocorre após um bombardeio iraniano atingir o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito do mundo, localizado em Ras Laffan, no Catar.
Escalada da crise no Golfo Pérsico
Em uma mensagem publicada em sua plataforma Truth Social, Trump afirmou que, se o Irã "decidir imprudentemente atacar" o Catar, os Estados Unidos, "com ou sem a ajuda e o consentimento de Israel, explodiriam maciçamente a totalidade do Campo de Gás de South Pars". O ex-presidente também confirmou que o ataque de quarta-feira contra o campo de gás iraniano no Golfo foi responsabilidade de Israel, alegando que Washington "não tinha conhecimento" da ação.
Em retaliação, o Irã atacou na quarta-feira a área de Ras Laffan, no Catar, e voltou a atacar o local nesta quinta-feira, 19 de março de 2026. A empresa estatal de energia do Catar, a QatarEnergy, relatou "danos consideráveis" na madrugada de quinta-feira, mas os incêndios provocados pelo ataque foram controlados, segundo o Ministério do Interior, que não relatou vítimas.
Impacto nos preços do petróleo e reações internacionais
O novo episódio da guerra iniciada em 28 de fevereiro pela ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irã provocou a disparada dos preços do petróleo, levando o barril de Brent a uma cotação de mais de 112 dólares nesta quinta-feira. O Catar, como o segundo maior exportador mundial de GNL, viu suas instalações vitais serem alvo, aumentando os temores de uma propagação do conflito a todo o Oriente Médio.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar lamentou que os ataques na região "ultrapassaram todas as linhas vermelhas por terem como alvo civis, assim como instalações civis e vitais". Por sua vez, Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, também fechou um centro de processamento de gás natural após a queda de destroços de mísseis interceptados.
Bloqueio do Estreito de Ormuz e tensões marítimas
O bloqueio por parte do Irã do estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e do gás mundiais, continua no centro das atenções. Ao sul do estreito, no Golfo de Omã, um navio foi atingido nesta quinta-feira por um "projétil desconhecido" e um incêndio a bordo foi declarado, segundo a agência marítima britânica UKMTO. Outro navio foi atingido na costa de Ras Lafan, no Catar, segundo a mesma fonte.
A Organização Marítima Internacional (OMI) se reúne em caráter de urgência nesta quinta-feira em Londres para exigir a implementação de um corredor marítimo seguro para a saída dos navios bloqueados no Golfo. O organismo da ONU responsável pela segurança no mar calcula que 20.000 marinheiros aguardam atualmente a bordo de 3.200 navios perto do Estreito de Ormuz.
Repercussões econômicas e políticas
Assim como no Federal Reserve (Fed, banco central americano), o forte aumento dos preços da energia devido à guerra dominará a reunião desta quinta-feira do Banco Central Europeu (BCE), que teme consequências sobre a inflação e o crescimento. O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu uma moratória dos ataques contra as instalações de energia, após uma conversa com Trump e com o emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani.
"As populações civis e suas necessidades essenciais, assim como a segurança do fornecimento de energia, devem ser preservadas da escalada militar", declarou Macron. Em quase três semanas, a guerra deixou mais de 2.200 mortos, segundo as autoridades, principalmente no Irã e no Líbano, a segunda frente de batalha do conflito, onde as forças de Israel enfrentam o movimento pró-Irã Hezbollah.



