Teerã sob intenso ataque: relatos de terror e esperança em meio a bombardeios
A capital do Irã, Teerã, está enfrentando um forte ataque desde que os bombardeios começaram no sábado, 28 de fevereiro, com os Estados Unidos e Israel mirando instalações militares e ligadas ao poder político em uma tentativa de enfraquecer o regime islâmico. Apesar de os alvos serem inicialmente dessa natureza, outras áreas foram atingidas como consequência dos ataques, gerando um cenário de caos e medo entre a população.
Destruição e mortes em meio aos ataques
Autoridades iranianas afirmaram que mais de 160 pessoas, incluindo crianças, morreram quando uma escola para meninas foi atingida na cidade de Minab no sábado. A Casa Branca afirma que os EUA investigam o incidente, mas dizem que não têm civis como alvo. "O número de explosões, a destruição, o que está acontecendo... é inacreditável", diz Salar, cujo nome foi alterado por questões de segurança.
Um morador de Teerã relatou à BBC News Persa que a situação atual vai além do que foi vivido durante a Guerra de 12 Dias, referindo-se ao conflito entre Israel e Irã em junho de 2025. "Cada dia pareceu um mês", conta Salar. "O volume de ataques é tão alto." Ele descreveu um ataque aéreo recente que fez toda a sua casa tremer, obrigando-o a deixar as janelas abertas para evitar que os vidros se quebrassem.
Impacto na vida cotidiana e repressão do regime
O preço de itens básicos como ovos e batatas disparou, e as filas por gasolina e pão são descritas como "inacreditáveis". Uma moradora da capital disse que a maioria das lojas está fechada e alguns caixas eletrônicos estão fora de serviço, embora supermercados e padarias permaneçam abertos. Teerã parece "vazia", e qualquer pessoa que saia de casa precisa ter um "motivo urgente".
O regime iraniano aumentou sua presença de segurança nas ruas, com postos de controle por todos os lados. "Há postos de controle por todos os lados. Eles estão com medo da própria sombra", diz um estudante de 25 anos em Teerã. Salar relatou ameaças das forças de segurança contra quem critica o regime, com mensagens de texto alertando que, se as pessoas saírem de casa, serão tratadas com dureza ou até consideradas colaboradoras de Israel.
Dificuldades de comunicação e relatos de outras cidades
Apagões no acesso à internet tornam extremamente difícil para os iranianos entrar em contato com familiares e obter notícias confiáveis. Kaveh, que vive em Zanjan, uma cidade a cerca de 275 km a nordeste de Teerã, também alvo de ataques, disse que passou dois dias sem conexão após o início dos bombardeios. "Nos três primeiros dias, nossa cidade foi fortemente bombardeada", relata. "Vivemos em uma área onde caças passam constantemente sobre as nossas cabeças."
Ele descreveu o céu constantemente encoberto por colunas de fumaça dos ataques aéreos, uma imagem "simultaneamente bela e aterrorizante". Salar enviou seus pais para o norte do país, mas não há certeza sobre quais cidades estão seguras. Sua mãe estava "em péssimo estado, muito assustada", com os ataques atuais sendo piores do que qualquer coisa vivida durante a guerra entre Irã e Iraque na década de 1980.
Reações à morte do líder supremo e perspectivas futuras
A primeira onda de ataques matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, mas os bombardeios continuam sem sinais de diminuição. Enquanto alguns iranianos foram às ruas para comemorar, outros participaram de manifestações públicas de luto lideradas por autoridades do governo. Kaveh expressou raiva ao refletir sobre a morte de Khamenei, dizendo que "quase todos os anos da minha vida e das vidas de milhões de pessoas como eu foram destruídos".
Salar não esperava as comemorações nas ruas após a notícia da morte do líder, destacando que a atmosfera da cidade permanece de segurança reforçada. "Duvido que qualquer um de nós volte a ser o mesmo de antes", diz ele, acrescentando que muitas pessoas estão sob forte estresse. Kaveh, no entanto, mantém esperança: "Minha esperança não diminuiu. Pelo contrário, fica mais forte a cada dia." Ele acredita que, sem a operação militar, algo pior teria acontecido, e ainda há uma chance para a vida e para o amanhã.
Organizações internacionais de notícias frequentemente têm vistos negados para entrar no Irã, limitando severamente a capacidade de reunir informações independentes. A maioria das pessoas tem ficado em casa, saindo apenas para buscar suprimentos, em um cenário de incerteza e medo que define o atual conflito.



