Chefe da polícia iraniana declara manifestantes como inimigos do regime
Polícia iraniana declara manifestantes como inimigos do regime

Chefe da polícia iraniana declara manifestantes como inimigos do regime

O chefe da Polícia Nacional do Irã, Ahmad Reza Radan, fez uma declaração contundente nesta quarta-feira (11), afirmando que manifestantes que se posicionarem contra o regime serão considerados inimigos. A declaração foi feita à emissora estatal Irib e ocorre em um momento de tensão extrema no país, que enfrenta uma guerra no Oriente Médio e forte pressão interna.

Declaração ameaçadora em meio a conflito internacional

"Se alguém atuar de acordo com os desejos do inimigo, não vamos considerá-lo mais um simples manifestante e o veremos como um inimigo. E daremos a esta pessoa o mesmo tratamento que damos a um inimigo", declarou Radan. A afirmação ocorre enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem convocando abertamente os iranianos a tomarem as ruas e derrubarem o regime, especialmente após a morte do líder supremo Ali Khamenei.

Contexto de pressão interna e repressão

O regime iraniano já enfrentava forte pressão interna antes do início do conflito atual. O país foi palco de manifestações que começaram em dezembro, em meio a uma prolongada crise financeira, e atingiram seu ápice em janeiro. Esses atos se transformaram na maior ameaça ao regime desde a Revolução Iraniana de 1979, que derrubou a monarquia e estabeleceu a República Islâmica.

Em resposta, o regime implementou uma repressão brutal, incluindo cortes de internet por semanas para evitar a divulgação de informações. Organizações de direitos humanos contabilizam mais de 6.000 vítimas, enquanto Teerã admitiu que 3.000 pessoas morreram durante as manifestações. O regime atribui a violência a "atos terroristas" fomentados pelos Estados Unidos e por Israel.

Guerra no Oriente Médio e envolvimento internacional

A guerra no Oriente Médio entrou no seu 12º dia, com Washington e Tel Aviv iniciando ataques a Teerã no último dia 28. A ofensiva ocorreu após uma quarta rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, que Trump deseja ver desmantelado completamente. Em um vídeo divulgado na sua rede Truth Social logo após o início do conflito, Trump sugeriu a derrubada do regime, instando os moradores a tomarem os prédios governamentais.

"Há pouco, os militares dos EUA iniciaram grandes operações de combate no Irã. O nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças do regime iraniano. Um grupo vicioso de pessoas terríveis", disse ele. Israel também havia pedido "mais tempo" para se preparar para o conflito, enquanto a Arábia Saudita afirma ter interceptado mísseis iranianos.

Sucessão e novas ofensivas

Com a morte do aiatolá Ali Khamenei, o regime escolheu seu filho Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país. Ele foi eleito pela Assembleia dos Especialistas, órgão com 88 juristas islâmicos, no domingo (8), mas desde então não fez aparição pública ou emitiu comunicado. Enquanto isso, o Irã afirma ter lançado mísseis contra uma base militar dos EUA no Kuwait, e Teerã anuncia nova ofensiva contra Israel e alvos ligados aos Estados Unidos.

O cenário atual combina conflito internacional, repressão interna e incerteza política, com as declarações de Radan refletindo a postura dura do regime diante de desafios crescentes.