Petroleiros retomam passagem pelo Estreito de Ormuz, segundo autoridades americanas
Em meio à volatilidade nos mercados globais de petróleo, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou nesta terça-feira, 17 de março de 2026, que petroleiros começaram a "passar aos poucos" pelo Estreito de Ormuz. A vital rota marítima havia sido efetivamente bloqueada pelo Irã após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país, há quase duas semanas.
Previsão de conflito curto e repercussões econômicas
Em entrevista à emissora americana CNBC, Hassett declarou que algumas embarcações passaram gradualmente a fazer a perigosa travessia. Ele também disse que a guerra durará apenas algumas semanas, não meses, ecoando declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para acalmar os mercados.
"Já se vê petroleiros começando a passar lentamente pelo estreito, e acho que isso é um sinal de quão pouco resta ao Irã", afirmou o conselheiro da Casa Branca. "Estamos muito otimistas de que isso vai acabar em breve, e então haverá repercussões nos preços quando tudo isso terminar por algumas semanas, à medida que os navios chegarem às refinarias."
Na segunda-feira, 16 de março, Trump havia indicado que as hostilidades podem terminar "em breve", embora tenha sugerido ser improvável que isso ocorra ainda nesta semana.
Contexto de escalada no Oriente Médio
As notícias sobre o Estreito de Ormuz surgem em meio à escalada das tensões na região, onde a guerra não dá sinais de arrefecimento. Enquanto Israel afirmou ter lançado uma nova onda de ataques contra Teerã nesta manhã, a Guarda Revolucionária Islâmica informou na segunda-feira que poderia começar a disparar contra empresas americanas, incluindo Google, Amazon e Microsoft, instaladas em nações do Golfo.
Recuo de Trump sobre coalizão naval
Um dia após ser ignorado pela maioria dos aliados dos Estados Unidos em relação à formação de uma coalizão naval para garantir a segurança do Estreito de Ormuz, Trump afirmou nesta terça que Washington não precisa de nenhuma ajuda para proteger a importante rota petrolífera bloqueada pelo Irã.
"Não precisamos de ninguém. Somos a nação mais forte do mundo. Temos, de longe, as forças armadas mais fortes do mundo", disse Trump, reiterando críticas de que os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não estavam ajudando, apesar da aliança prever defesa coletiva.
Apenas dois dias antes, Trump havia instado ao menos sete países a enviarem navios de guerra para a região, alertando que uma resposta negativa poderia levar a um "futuro muito ruim" para a Otan. No entanto, vários parceiros importantes, incluindo Alemanha, Espanha e Itália, recusaram o pedido, relutantes em serem arrastados para o conflito.
Posições do Irã e negociações do Iraque
Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia declarado que o estreito "permanece aberto", enfatizando que o bloqueio vale apenas para navios dos Estados Unidos, Israel e seus aliados. Nesta terça, o Iraque, membro da Opep cujas exportações de petróleo respondem por 90% de todo o seu orçamento, abriu negociações com Teerã para garantir a passagem de seus petroleiros.
Enquanto bombas continuam caindo sobre território iraniano, as forças do país prosseguem com a retaliação contra bases americanas na região e o complexo petrolífero dos países do Golfo, aliados dos Estados Unidos. A guerra começou com os ataques americanos e israelenses, em 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e causaram grandes danos à infraestrutura governamental e militar.



