Paquistão declara 'guerra aberta' contra Afeganistão após escalada de ataques na fronteira
Paquistão declara guerra aberta contra Afeganistão após ataques

Paquistão anuncia guerra aberta contra Afeganistão após escalada militar

O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, declarou nesta quinta-feira (26) que a "paciência se esgotou" e falou em "guerra aberta" contra o Afeganistão, marcando uma nova e perigosa fase no conflito entre os dois países vizinhos. A declaração ocorre após uma intensa troca de ataques militares ao longo da fronteira compartilhada, que já resultou em bombardeios em território afegão e retaliações por parte do governo do Talibã.

Contexto do conflito e acusações mútuas

A tensão envolve principalmente o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), um grupo militante que atua contra o governo paquistanês. Autoridades do Paquistão afirmam que combatentes do TTP se escondem no Afeganistão e organizam ataques a partir de bases no território afegão, uma acusação que o governo do Talibã nega veementemente. No fim de semana, o Paquistão realizou bombardeios contra acampamentos de militantes do TTP e do Estado Islâmico em solo afegão, o que desencadeou a atual escalada.

Em resposta, o Talibã, que governa o Afeganistão, afirmou que daria uma "resposta apropriada e proporcional" aos ataques. Mais cedo, o Afeganistão anunciou ter lançado uma ofensiva contra posições militares paquistanesas ao longo da fronteira, caracterizando a ação como uma retaliação direta aos bombardeios do Paquistão. Horas depois, o Paquistão bombardeou Cabul e outras cidades afegãs, segundo o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid. Até o momento, não há relatos confirmados sobre vítimas desses ataques recentes.

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Declarações inflamadas e risco de conflito ampliado

Em publicação nas redes sociais, o ministro Khawaja Asif acusou o Talibã de transformar o Afeganistão em um refúgio para militantes internacionais e de retirar direitos básicos da população, incluindo mulheres. Segundo ele, o Paquistão tentou resolver a situação por meio da diplomacia, mas agora dará uma "resposta decisiva". "Nossa paciência se esgotou. Agora é guerra aberta entre nós. Agora será confronto total. O Exército do Paquistão não veio de fora. Somos seus vizinhos e sabemos do que vocês são capazes", publicou Asif, em tom de confronto direto.

A troca de ataques coloca em risco o cessar-fogo mediado pelo Catar, que vinha sendo mantido com episódios esporádicos de violência. Rodadas de negociação realizadas em novembro não resultaram em um acordo formal, e a situação atual indica uma deterioração significativa das relações bilaterais. Ainda nesta quinta-feira, o porta-voz do Talibã advertiu que, se o Paquistão atacasse Cabul ou grandes cidades, o Afeganistão vai "atingir centros-chave e cidades importantes" do país vizinho. Ele afirmou que o grupo não busca ampliar o conflito, mas responderá a quaisquer ataques.

Preocupações internacionais e apelo à diplomacia

A Organização das Nações Unidas (ONU) já se manifestou sobre a situação, pedindo que ambos os lados protejam civis e busquem uma solução diplomática para o conflito. A escalada militar representa uma ameaça à estabilidade regional e pode ter implicações mais amplas, dada a história de tensões e os interesses geopolíticos envolvidos. A comunidade internacional observa com preocupação o agravamento das hostilidades, que já resultaram em patrulhas intensificadas por combatentes do Talibã afegão perto da fronteira, conforme registrado em outubro de 2025.

O conflito entre Paquistão e Afeganistão não é novo, mas a retórica de "guerra aberta" e os ataques recíprocos indicam uma fase particularmente crítica. As acusações de abrigo a grupos militantes, combinadas com as ações militares recentes, criam um cenário volátil que exige intervenção diplomática urgente para evitar uma escalada ainda maior e proteger as populações civis afetadas.

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