Indignação global após soldado israelense destruir estátua de Jesus no Líbano
Uma fotografia que mostra um soldado israelense golpeando uma estátua de Jesus Cristo com uma marreta no sul do Líbano viralizou nas redes sociais neste final de semana, desencadeando uma onda generalizada de indignação internacional. A imagem, que rapidamente alcançou milhões de visualizações, retrata o militar prestes a atingir a cabeça da representação religiosa crucificada no município de Debel, região de maioria cristã próxima à fronteira com Israel.
Reações imediatas das autoridades israelenses
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, ter ficado "chocado e triste" com o caso, garantindo que as autoridades militares estão conduzindo uma investigação criminal sobre o ocorrido. Netanyahu prometeu que serão tomadas "medidas disciplinares rigorosas" contra o infrator, em uma tentativa de conter a crise diplomática e religiosa.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, também se manifestou, classificando a ação como "vergonhosa e desonrosa". Em um gesto de conciliação, Saar declarou: "Pedimos desculpas por este incidente e a todos os cristãos cujos sentimentos foram feridos".
Posicionamento do Exército israelense e comunidade internacional
O Exército israelense admitiu publicamente que se trata de um incidente de "gravidade extrema", afirmando que "a conduta do soldado é totalmente inconsistente com os valores que espera de suas tropas". Em uma postagem oficial no X (antigo Twitter), os militares confirmaram que a fotografia retrata um soldado das Forças de Defesa de Israel no sul do Líbano e anunciaram que "serão tomadas medidas apropriadas contra todos os envolvidos". Além disso, o Exército informou que está trabalhando em conjunto com a comunidade local para "restaurar a estátua a seu lugar".
A reação internacional foi imediata e contundente:
- O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, que é pastor batista, exigiu "medidas rápidas, severas e públicas" em resposta ao ato.
- A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa, que inclui o cardeal católico de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, exigiu a aplicação de "ação disciplinar imediata e determinante" para o militar responsável.
- O membro palestino do Parlamento israelense, Ayman Odeh, ironizou a situação nas redes sociais: "Daqui a pouco, o porta-voz da polícia vai alegar que 'o soldado se sentiu ameaçado por Jesus'".
Contexto do conflito e incidente anterior
Este episódio ocorre em um momento de tensão elevada na região. O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no início de março, quando o grupo armado pró-Irã, Hezbollah, lançou foguetes contra Israel em apoio a Teerã. As forças israelenses responderam com ataques em larga escala em todo o território libanês e com uma invasão ao sul do país.
A fotografia da destruição da estátua segue um ataque ocorrido no mês passado, que resultou na morte do padre católico Pierre El Raii no vilarejo de Qlayaa. Segundo relatos divulgados pela agência de notícias do Vaticano, o religioso ficou ferido ao tentar socorrer um fiel atingido por um primeiro ataque aéreo e foi fatalmente atingido por um novo bombardeio minutos depois. O papa Leão XIV expressou "profunda dor" por "todas as vítimas dos bombardeios destes dias no Oriente Médio", mencionando especificamente o padre El Raii.
A estátua danificada está localizada em Debel, município de maioria cristã no distrito de Bint Jbeil, uma área que tem sido palco de confrontos frequentes. A imagem foi originalmente compartilhada pelo jornalista libanês Younis Tirawi, amplificando a visibilidade do incidente e intensificando as críticas às ações militares israelenses na região.



