Israel suspende eliminação de autoridades iranianas após pedido do Paquistão
Em um movimento diplomático significativo, Israel retirou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, de sua lista de alvos militares. A decisão foi tomada a pedido expresso do governo do Paquistão, que atua como mediador nas complexas negociações para um cessar-fogo na região.
Mediação paquistanesa evita eliminação de figuras-chave
De acordo com informações exclusivas da agência Reuters e confirmadas pelo jornal americano The Wall Street Journal, autoridades paquistanesas solicitaram aos Estados Unidos que intercedessem junto a Israel para poupar ambas as figuras políticas iranianas. "Os israelenses tinham as coordenadas deles e queriam eliminá-los", revelou uma fonte paquistanesa à Reuters. "Dissemos aos Estados Unidos que, se eles também fossem eliminados, não haveria mais ninguém com quem conversar", completou a fonte, explicando a lógica por trás do pedido.
O pedido paquistanês foi atendido, resultando na remoção temporária dos dois líderes iranianos da lista de alvos israelenses por um período estimado de quatro a cinco dias. Esta janela de tempo permitiria a discussão de possíveis negociações de paz enquanto se mantêm vivas figuras políticas capazes de representar o Irã em diálogos diplomáticos.
Contexto de perdas significativas no lado iraniano
A decisão ocorre em um momento particularmente delicado para a liderança iraniana, que sofreu perdas significativas desde o início do conflito. Entre as figuras de alto escalão eliminadas estão:
- O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei
- O chefe de segurança Ali Larijani
- O comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, abatido nesta quinta-feira
Abbas Araqchi, em particular, representa uma figura diplomática crucial para qualquer negociação futura. Como um dos diplomatas mais experientes do Irã, ele liderou a delegação iraniana nas negociações por um acordo nuclear com os Estados Unidos - acordo cujo fracasso, segundo o presidente americano Donald Trump, motivou a ofensiva militar lançada contra território iraniano em 28 de fevereiro.
Paquistão se consolida como intermediário regional
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que também ocupa o cargo de vice-primeiro-ministro, confirmou publicamente o papel mediador de seu país. Em publicação no X (antigo Twitter), Dar afirmou: "Na realidade, estão acontecendo conversas indiretas entre Estados Unidos e Irã por meio de mensagens transmitidas pelo Paquistão".
Segundo o ministro paquistanês, os Estados Unidos compartilharam 15 pontos que estão sendo discutidos pelo Irã, com Turquia e Egito entre os países que apoiam a iniciativa diplomática. Esta mediação ocorre paralelamente a outros contatos de alto nível, incluindo uma ligação telefônica na terça-feira entre o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, e o presidente americano Donald Trump para discutir a guerra no Oriente Médio.
A retirada temporária de Araqchi e Qalibaf da lista de alvos representa uma abertura estratégica para diálogos que poderiam levar a um cessar-fogo, ainda que frágil. O Paquistão, com suas relações históricas tanto com países ocidentais quanto com nações do Oriente Médio, posiciona-se como um ator crucial nestas negociações indiretas que buscam evitar uma escalada ainda maior do conflito.



