Israel elimina alto comandante iraniano em ofensiva estratégica
No décimo oitavo dia do conflito armado, as forças de Israel confirmaram a morte de Ali Larijani, uma das figuras mais importantes do regime dos aiatolás no Irã. O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, que utilizou uma metáfora vívida para descrever a estratégia militar contra o país persa.
Metáfora do polvo e ofensiva israelense
"Continuaremos perseguindo a liderança do regime iraniano, cortando repetidamente a cabeça do polvo para impedir que ela cresça novamente", declarou Katz durante coletiva de imprensa. Na analogia apresentada, o regime iraniano representa a cabeça do polvo, enquanto seus aliados e grupos armados na região - incluindo Hezbollah, Hamas, milícias no Iraque e rebeldes Houthis - seriam os tentáculos da criatura.
Além de Larijani, as operações israelenses também resultaram na morte de Gholamreza Soleimani, comandante das forças Basij. Esta unidade da Guarda Revolucionária iraniana ficou conhecida pela atuação repressiva durante os protestos contra o regime no início de 2026.
Perdas no alto escalão iraniano
A eliminação de Larijani representa mais uma baixa significativa na cúpula do poder iraniano. Desde o início do conflito, pelo menos dez nomes de peso foram mortos, incluindo o maior deles: o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, falecido no primeiro dia das hostilidades.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou as ações: "Estamos minando esse regime na esperança de dar ao povo do Irã a oportunidade de derrubá-lo". A estratégia busca enfraquecer estruturalmente o governo dos aiatolás através da eliminação sistemática de seus principais comandantes.
Trajetória e importância de Ali Larijani
Ali Larijani ocupava posição estratégica no aparato de segurança iraniano:
- Em 2025, foi escolhido pelo presidente Masoud Pezeshkian como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional
- Representava o então líder supremo Ali Khamenei neste conselho
- Presidiu o Parlamento iraniano por doze anos consecutivos
- Atuou como principal interlocutor nas negociações sobre o programa nuclear iraniano
- Nos últimos anos, tornou-se homem de confiança de Khamenei, encarregado de planejar a sobrevivência do regime após a morte do líder
Especialistas destacam que Larijani inicialmente adotava postura moderada, chegando a apoiar negociações com o Ocidente, mas nos meses anteriores ao conflito havia endurecido seu discurso político.
Análise especializada sobre o impacto estratégico
O professor Najad Khouri, especialista em Oriente Médio da Fundação Getulio Vargas, questiona a eficácia da estratégia israelense: "Há certa utopia em pensar que essas mortes resultarão na queda do regime iraniano. Sempre surgirá alguém novo e, frequentemente, figuras mais radicais".
Khouri ressalta o paradoxo da eliminação: "Larijani tinha todas as qualificações para ser um articulador que poderia beneficiar tanto Estados Unidos quanto Israel no período pós-guerra. Sua experiência moderada e conhecimento do Ocidente o tornavam potencial facilitador de diálogos futuros".
A morte de Larijani ocorre em um contexto regional complexo, onde o Irã mantém influência sobre múltiplos grupos armados através do que Israel descreve como "tentáculos" de seu poder. A ofensiva israelense busca não apenas eliminar lideranças, mas desestabilizar toda a rede de influência iraniana no Oriente Médio.



