Ataque de Israel destrói prédio onde seria escolhido novo líder supremo do Irã
Um ataque militar realizado por Israel nesta terça-feira (3) destruiu completamente o prédio onde estava programada a reunião para escolher o próximo líder supremo do Irã. O edifício, localizado na cidade sagrada de Qom, a aproximadamente 100 quilômetros da capital Teerã, foi atingido enquanto abrigava os 88 membros da Assembleia dos Peritos.
Contexto do ataque e localização estratégica
O ataque ocorre em meio ao conflito intensificado no último sábado (28), que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei após ofensivas conjuntas de Israel e Estados Unidos. Qom é considerada o principal centro de ensino do islamismo xiita no mundo, abrigando mais de um milhão de habitantes e diversos locais sagrados da religião.
O prédio destruído possuía sete andares e era o local tradicional onde a Assembleia dos Peritos – composta exclusivamente por clérigos islâmicos e especialistas no direito islâmico (sharia) – se reunia para decisões cruciais. Até as 14h30 desta terça-feira, não havia confirmação oficial sobre mortos ou feridos no ataque, embora agências estatais iranianas tenham informado que o edifício foi "arrasado".
Processo de escolha do novo líder supremo
Com a morte de Khamenei, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que um novo líder supremo seria escolhido em "um ou dois dias". O processo de seleção segue um rigoroso protocolo:
- A Assembleia dos Peritos, com seus 88 membros, realiza votação interna
- O candidato precisa obter maioria simples dos votos
- Os membros da Assembleia são escolhidos por voto popular, mas todos os candidatos devem passar por aprovação do Conselho dos Guardiães
Este sistema garante que o poder permaneça concentrado entre os aiatolás e na figura do líder supremo, criando um ciclo de controle político-religioso que caracteriza o regime teocrático iraniano desde 1979.
Estrutura de poder no Irã e interinidade
Enquanto aguarda a definição do novo líder supremo, o aiatolá Alireza Arafi foi indicado no domingo (1) como líder supremo interino. No sistema político iraniano, o líder supremo detém poderes amplos que incluem:
- Definição da política externa do país
- Supervisão do Parlamento iraniano
- Nomeação do comandante da Guarda Revolucionária
- Indicação dos principais representantes do Judiciário
Embora o Irã tenha um presidente eleito por voto direto, todas as candidaturas presidenciais precisam ser previamente aprovadas pelo líder supremo, demonstrando a hierarquia de poder que coloca o aiatolá como autoridade máxima do país.
Desafios de informação e reações internacionais
Por se tratar de um regime fechado, o Irã apresenta atualizações limitadas de imagens e informações públicas sobre prédios oficiais, dificultando a verificação independente dos danos. Fontes de agências de notícias internacionais e jornais israelenses confirmam que os 88 integrantes da Assembleia dos Peritos estariam reunidos no local no momento do ataque.
O ataque a Qom representa uma escalada significativa no conflito que envolve Israel, Irã e Estados Unidos, com potencial para alterar profundamente o equilíbrio de poder na região do Oriente Médio. A destruição do local onde seria decidido o futuro liderança suprema do Irã adiciona uma camada complexa às já tensas relações internacionais envolvendo o país.
