Israel ataca ponte estratégica no sul do Líbano e anuncia expansão de zona-tampão
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (25) que seu Exército irá expandir a zona-tampão no Líbano. Em publicação na rede social X, Netanyahu declarou que Israel está expandindo essa zona de segurança para eliminar a ameaça de mísseis antitanque.
Estamos simplesmente criando uma zona tampão maior. Agora, a questão da dissolução do Hezbollah está diante de nossos olhos, afirmou o líder israelense.
Controle de faixa de 30 km até o rio Litani
A fala ocorre um dia após o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ter afirmado que o país controlará uma faixa de cerca de 30 km no sul do Líbano até o rio Litani. Israel retomou a guerra contra o grupo extremista libanês Hezbollah nos primeiros dias de março e já realiza operação terrestre no país vizinho, que até o momento chama de limitada.
Katz disse que o objetivo da faixa é estabelecer uma zona de segurança no Sul após destruir pontes sobre o rio Litani. Segundo ele, as estruturas eram utilizadas pelo Hezbollah. Além disso, os militares israelenses vão controlar as pontes remanescentes na região, anunciou Katz.
Todas as cinco pontes sobre o rio Litani que o Hezbollah usava para transportar terroristas e armas foram destruídas, e as Forças de Defesa de Israel controlarão as rotas restantes na zona de segurança até o Litani, afirmou Katz em reunião de gabinete do Exército.
Moradores não devem retornar, diz ministro
O ministro israelense acrescentou ainda que os moradores do sul do Líbano que deixaram suas casas não devem retornar: Não retornarão ao sul do Rio Litani até que a segurança dos moradores do norte de Israel seja garantida, afirmou.
Israel realiza uma operação terrestre no sul do Líbano desde o início do mês contra o grupo terrorista Hezbollah. No final de semana, tropas israelenses começaram a demolir pontes sobre o rio Litani, que conectam uma faixa de 30 km no sul do Líbano ao restante do país.
Escalação na operação terrestre
A fala de Katz em zona de segurança representa uma escalação ainda maior na operação terrestre e aumenta os temores de que uma invasão em larga escala pode estar por vir. No final de semana, o governo libanês acusou Israel de querer criar uma zona-tampão no sul do país.
O Hezbollah afirmou à agência de notícias Reuters nesta terça-feira que o grupo vai lutar para impedir que Israel crie uma zona-tampão na região e disse que a ocupação israelense no sul do Líbano é uma ameaça existencial ao Estado libanês.
Contexto histórico e acusações
O anúncio remete os libaneses a 1982, quando, no contexto da guerra civil, Israel invadiu toda a região. O exército israelense manteve uma zona-tampão entre 10 e 20 km de profundidade até sua retirada completa em 2000, sob pressão do movimento pró-Irã Hezbollah.
O ministro israelense voltou a acusar nesta terça o governo do Líbano de não cumprir o compromisso que havia firmado para desarmar o Hezbollah, o que justificaria a zona de segurança no território libanês para garantir a segurança dos cidadãos israelenses no norte do país.
O que é uma zona-tampão
Zona-tampão é um termo bélico para denominar uma faixa de território criada para separar forças hostis e reduzir a chance de confronto direto entre elas. É usada como uma área de contenção entre duas frentes de combate.
O rio Litani, que cruza o Líbano quase inteiramente de leste a oeste, é importante na guerra entre Israel e o Hezbollah porque uma resolução da ONU de 2006, criada para estabelecer outro cessar-fogo, determinou que o grupo terrorista deveria se retirar de áreas no sul do Líbano e utilizou o rio como referência. Israel acusa o Hezbollah de não cumprir a resolução.
Impacto humanitário e vítimas civis
Desde que o Hezbollah, apoiado pelo Irã, arrastou o Líbano para a guerra regional, Israel realizou centenas de ataques no país vizinho, que, segundo as autoridades, causaram mais de mil mortes e deslocaram mais de um milhão de pessoas.
Nesta terça-feira (24), bombardeios israelenses mataram cinco pessoas no sul do país e outras três em uma área residencial perto de Beirute. Minha casa foi completamente destruída. Não sobrou nada, tudo queimou, disse Abbas Qasem, de 55 anos, à AFP.
Um apartamento vizinho foi alvo de um ataque em Bchamoun, a sudeste de Beirute. O que eu fiz para merecer? Sou apenas uma pessoa comum, acrescentou, chorando, assim como sua esposa, ao descobrir a devastação em seu apartamento. Nesse ataque específico, uma menina de quatro anos morreu e outras quatro pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde. Bchamoun não é um reduto do Hezbollah.



