Iraque negocia com Irã passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz em meio a crise
Iraque negocia com Irã passagem de petroleiros por Ormuz

Iraque busca autorização do Irã para passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz

O Iraque iniciou negociações com o Irã para obter autorização para que seus petroleiros possam atravessar o Estreito de Ormuz, declarou o ministro do Petróleo iraquiano, Hayan Abdel Ghani, à emissora local Al Sharqiya nesta terça-feira, 17 de março de 2026. A medida é crucial para o país, que depende das exportações de petróleo para 90% de suas receitas orçamentárias.

Negociações em andamento para retomada das exportações

"Estamos em contato com as autoridades competentes para que autorizem a passagem de certos petroleiros pelo Estreito de Ormuz, para que possamos retomar nossas exportações", afirmou Ghani, referindo-se aos iranianos. O ministro acrescentou que é necessário fornecer detalhes como identidade dos navios, nome, nacionalidade e proprietários.

Antes do início do conflito em 28 de fevereiro, o Iraque, membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), exportava cerca de 3,5 milhões de barris por dia principalmente dos campos do sul de Basra através do estreito. Com o fechamento da passagem, a produção nos campos do sul caiu aproximadamente 70%, para cerca de 1,3 milhão de barris diários.

Posição do Irã sobre a passagem pelo estreito

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou em coletiva de imprensa em Teerã que o país está aberto a negociações com aqueles que desejam acessar a passagem com segurança. "Do nosso ponto de vista, está aberto", declarou. "Está fechado apenas para nossos inimigos, para aqueles que cometeram agressões injustas contra o nosso país e para seus aliados."

Segundo o serviço de monitoramento marítimo Marine Traffic, um petroleiro não iraniano, o Aframax Karachi de bandeira paquistanesa, transitou pelo Estreito de Ormuz nesta segunda-feira, transportando petróleo bruto de Abu Dhabi. O navio tornou-se a primeira carga não iraniana a transitar pelo ponto de estrangulamento enquanto transmitia seu sinal AIS, sugerindo que algumas cargas podem estar recebendo passagem segura negociada.

Pressão internacional e impacto nos preços do petróleo

Enquanto isso, o presidente americano Donald Trump pediu ajuda às grandes potências para liberar o Estreito de Ormuz e exigiu que seus aliados se unam rapidamente a uma operação para escoltar os petroleiros pelo estreito. Ameaçou que a recusa seria "muito ruim" para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

No entanto, a aliança militar transatlântica e outros aliados como Coreia do Sul e Japão descartam a possibilidade. Analistas apontam que os aliados dos Estados Unidos não se mostram entusiasmados com um envolvimento em uma guerra sobre a qual não foram consultados, após um ano de tensões com Washington em vários temas.

Os bombardeios continuam a abalar o Oriente Médio e o preço do petróleo segue em ascendente, tendo atingido na manhã desta segunda-feira o patamar mais alto desde outubro de 2022. A Agência Internacional de Energia (AIE) liberou 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais, mas estima que o fornecimento diário do combustível deve cair em 10 milhões de barris, gerando o que qualificou como "a maior perturbação" no setor em toda a história.

Situação de segurança no Golfo Pérsico

De acordo com a agência marítima britânica UKMTO, o Estreito de Ormuz permanece sob ameaça "crítica", embora nenhum incidente tenha sido relatado nos últimos três dias. Pelo menos 20 embarcações foram atacadas no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã desde o início da guerra.

A crise no estreito, por onde em condições normais transita até um quinto do petróleo mundial, continua a impactar significativamente a economia global e as relações internacionais na região.