Irã rejeita negociações com EUA e afirma que campanha militar continuará até objetivos serem atingidos
Irã rejeita negociações com EUA e mantém campanha militar

Irã rejeita negociações com EUA e afirma que campanha militar continuará até objetivos serem atingidos

O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, afirmou categoricamente nesta segunda-feira (02) que o país não negociará com os Estados Unidos, contradizendo declarações anteriores do presidente norte-americano Donald Trump sobre um suposto interesse iraniano em retomar as negociações. A firme posição foi divulgada através da rede social X, onde Larijani negou veementemente informações de que teria tomado iniciativa para retomar diálogos com Washington por meio de intermediários do Sultanato de Omã.

Declarações contundentes e acusações mútuas

Em suas publicações, Larijani foi incisivo: "Não negociaremos com os Estados Unidos", escreveu. Em outra mensagem, o secretário acusou Trump de ter mergulhado a região no caos com suas "fantasias delirantes" e afirmou que o presidente americano agora temeria mais baixas entre as tropas dos EUA. Larijani destacou ainda que, com ações que considerou delirantes, Trump teria transformado seu slogan "América Primeiro" em "Israel Primeiro", sacrificando soldados americanos pelas ambições de poder israelenses.

O chefe de segurança iraniano enfatizou que a nação iraniana está se defendendo e que as forças armadas do Irã não iniciaram a agressão, colocando a responsabilidade do conflito diretamente sobre os Estados Unidos e seus aliados.

Campanha militar dos EUA promete continuidade

Do lado norte-americano, Donald Trump reafirmou neste domingo (01) que a campanha militar no Irã continuará até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam atingidos. Em pronunciamento publicado em suas redes sociais, o presidente americano declarou que os EUA vingarão a morte dos três militares mortos durante a retaliação iraniana.

Em tom ameaçador, Trump dirigiu-se diretamente aos membros das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária do Irã: "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa."

Perspectivas de conflito prolongado

Pouco antes dessas declarações, Trump havia concedido entrevista ao jornal britânico "Daily Mail", onde previu que o conflito com o Irã deve se arrastar pelas próximas quatro semanas. Segundo o presidente americano, "Sempre foi um processo de quatro semanas. Calculamos que levaria cerca de quatro semanas. Sempre foi um processo de cerca de quatro semanas, então – por mais forte que seja, é um país grande, levará quatro semanas – ou menos".

Apesar de manter abertura para mais conversas com os iranianos, Trump não especificou quando isso poderia ocorrer. Em entrevista à revista "The Atlantic", mencionou que a nova liderança do país teria se mostrado disposta a retomar negociações sobre o programa nuclear, mas manteve postura evasiva sobre prazos concretos.

Mediação de Omã e posições divergentes

Enquanto Larijani nega qualquer interesse em negociação, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou ao chanceler de Omã, Badr Albusaidi, que Teerã estaria aberta a "esforços sérios" para reduzir a tensão após os ataques israelenses e norte-americanos. A conversa ocorreu por telefone e foi relatada em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores de Omã.

Segundo Albusaidi, ele defendeu um cessar-fogo e a retomada do diálogo "de maneira que atenda às demandas legítimas de todas as partes". Omã tem atuado como mediador nas negociações nucleares entre EUA e Irã, buscando aproximar os dois países em meio às sucessivas crises diplomáticas que marcam a relação bilateral há anos.

Contexto do conflito recente

Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28), ação que deixou 201 mortos e 747 feridos segundo informações da imprensa iraniana com base em dados da rede humanitária Crescente Vermelho. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas, com danos significativos a infraestruturas civis e militares.

Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio. O Exército dos EUA informou que nenhum militar americano ficou ferido na ação, e o governo americano afirmou que os danos às bases militares dos EUA na região foram "mínimos". O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, foi fechado por motivos de segurança conforme informou a agência estatal iraniana Tasnim.

Declarações de Netanyahu e apelo à população iraniana

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que a ofensiva contra o Irã matou comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários ligados ao programa nuclear iraniano. Segundo ele, "milhares de alvos" serão atacados nos próximos dias, indicando uma escalada ainda maior do conflito.

No mesmo pronunciamento, Netanyahu fez um apelo direto à população do Irã para que se levante contra o regime e vá às ruas para protestar: "Não percam a oportunidade. Esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração", afirmou. Em inglês, Netanyahu acrescentou: "A ajuda chegou", em referência a uma publicação do presidente Donald Trump que em janeiro afirmava estar enviando "ajuda" a manifestantes que protestavam contra o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

A situação permanece extremamente tensa, com ambas as partes mantendo posições firmes e contraditórias sobre a possibilidade de diálogo, enquanto os combates continuam a causar vítimas e danos em território iraniano e bases americanas na região.