Irã planeja lei para controlar Estreito de Ormuz, acirrando tensões com EUA e aliados
Irã quer lei para controlar Estreito de Ormuz, EUA acusam chantagem

Irã avança com projeto de lei para controlar Estreito de Ormuz

O parlamentar iraniano Ebrahim Azizi, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, anunciou que o país está preparando um projeto de lei para regulamentar o controle sobre o estratégico Estreito de Ormuz. Em entrevista à BBC em Teerã, Azizi afirmou que "é nosso direito inalienável" decidir sobre as permissões para embarcações atravessarem a via marítima, que é crucial para o transporte global de petróleo.

Projeto baseado na Constituição iraniana

"Estamos apresentando um projeto de lei no parlamento, baseado no artigo 110 da Constituição, que abrange meio ambiente, segurança marítima e segurança nacional", explicou Azizi, que preside a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa. "As forças armadas implementarão a lei."

O estreito, que o Irã conseguiu transformar em arma durante o conflito regional, foi descrito por Azizi como "um de nossos trunfos para enfrentar o inimigo". A medida reflete o pensamento da linha-dura que domina o parlamento iraniano e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) após uma série de assassinatos de figuras de alto nível em ataques israelenses.

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Reações internacionais acirradas

O presidente americano Donald Trump respondeu às declarações acusando o Irã de tentar "chantagear" os Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, Trump havia alertado anteriormente que o Irã "viveria no inferno" se não abrisse o corredor marítimo.

Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, descreveu a situação como "um ato de pirataria hostil" e alertou que a medida criaria um "precedente perigoso" para outras vias navegáveis estratégicas do mundo.

Azizi rebateu as críticas, afirmando que os EUA são "os maiores piratas do mundo" e que os países árabes "venderam nossa região aos americanos", referindo-se às bases militares americanas no Oriente Médio.

Divergências internas no Irã

Houve sinais de desacordos dentro da elite iraniana quando o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, publicou uma declaração afirmando que o Estreito de Ormuz estava "completamente aberto". Trump respondeu com um "OBRIGADO" em letras maiúsculas.

Veículos de imprensa ligados à IRGC repreenderam Araghchi, com a agência Mehr afirmando que a publicação "proporcionou a melhor oportunidade para Trump ir além da realidade" e a Tasnim descrevendo-a como um "tweet ruim e incompleto". Araghchi posteriormente esclareceu que a hidrovia estava aberta apenas para navios autorizados pela Marinha da IRGC.

Negociações e futuro incerto

O destino do estreito será decidido nos escalões mais altos do Estado e é uma das questões centrais nas negociações de alto nível que devem ser retomadas em Islamabad. Trump disse que enviaria uma delegação chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance, enquanto a mídia local iraniana relata que o país não participará enquanto o bloqueio americano aos portos iranianos permanecer em vigor.

Mohammad Eslami, pesquisador da Universidade de Teerã, explicou que "a primeira prioridade do Irã após a guerra é restaurar a dissuasão, e o Estreito de Ormuz está entre as principais alavancas estratégicas do Irã".

Contexto de repressão interna

Questionado sobre as recentes ondas de prisões e sentenças de morte contra manifestantes, Azizi reiterou a alegação do governo de que agências de espionagem dos EUA e Israel estiveram envolvidas nos distúrbios. Ele descartou preocupações sobre o aumento da repressão interna, afirmando que "na guerra, mesmo em um cessar-fogo, existem regras".

Azizi também não quis especificar quando o apagão digital que afeta a maioria dos iranianos seria suspenso, apenas enfatizando que isso ocorreria "quando for seguro, para que o inimigo não se aproveite".

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