O cenário geopolítico no Oriente Médio atinge um novo patamar de tensão nesta terça-feira. Sob a ameaça explícita de novos ataques militares dos Estados Unidos, o Irã afirmou que está simultaneamente pronto para negociar e preparado para a guerra. A declaração ocorre em meio a uma onda de protestos internos que, segundo fontes locais, já teriam causado cerca de 2.000 mortes.
Rússia condena "interferência externa" e ameaças dos EUA
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado forte, condenando o que chamou de "interferência externa subversiva" nos assuntos internos do Irã. A nota classificou como "categoricamente inaceitáveis" as ameaças de Washington de lançar novos ataques militares contra o país persa.
O governo russo ainda alertou sobre as consequências de uma possível agressão. "Aqueles que planejam usar distúrbios instigados externamente como pretexto para repetir a agressão contra o Irã cometida em junho de 2025 devem estar cientes das consequências desastrosas", afirmou o comunicado, referindo-se ao impacto que tais ações teriam para a segurança do Oriente Médio e global.
Trump envia mensagem direta e promete "ajuda" aos manifestantes
Pouco antes do posicionamento russo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez sua primeira mensagem direta aos manifestantes iranianos. Em um tuíte, ele pediu: "Patriotas iranianos, continuem protestos. A ajuda está a caminho".
Trump vem ameaçando intervir no país caso a repressão aos protestos, que começaram com queixas econômicas e evoluíram para pedidos de queda da República Islâmica, continue de forma violenta. Ele já declarou que pode retomar ataques diretos ao território iraniano como represália, reacendendo uma escalada de hostilidades entre as duas nações.
Alemanha prevê fim do regime e relações comerciais em queda
Também nesta terça-feira, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, em visita à Índia, fez uma declaração impactante. Ele afirmou acreditar que o regime dos aiatolás, no poder desde 1979, está em seus "últimos dias e semanas".
"Quando um regime só consegue manter o poder por meio da violência, então ele está efetivamente no fim. A população agora está se levantando contra esse regime", disse Merz, referindo-se à repressão violenta relatada por moradores, que inclui tiros diretos contra manifestantes.
O chanceler alemão afirmou que seu país mantém contato próximo com os EUA e governos europeus sobre a situação, mas não comentou os laços comerciais bilaterais. Dados do escritório federal de estatísticas alemão, no entanto, mostram que as exportações da Alemanha para o Irã caíram 25% nos primeiros 11 meses do ano, representando menos de 0,1% do total das exportações alemãs.
A pressão econômica sobre o Irã aumentou após Trump anunciar, na segunda-feira (12), que qualquer país que fizer negócios com a nação persa enfrentará uma tarifa de 25% sobre o comércio com os EUA, uma medida que pode afetar ainda mais os parceiros comerciais de Teerã, como a própria Alemanha.