Irã ameaça resposta 'feroz' a ataque dos EUA enquanto tensão nuclear se intensifica
Irã promete resposta 'feroz' a possível ataque limitado dos EUA

Irã promete resposta 'feroz' a possível ataque limitado dos Estados Unidos

O governo iraniano emitiu um alerta contundente nesta segunda-feira (23), afirmando que qualquer ataque dos Estados Unidos, mesmo que limitado, desencadearia uma resposta "feroz" por parte do país. A declaração ocorre dias antes de uma nova rodada de negociações diplomáticas entre as duas nações e em resposta a comentários do ex-presidente americano Donald Trump, que sugeriu a possibilidade de um ataque limitado caso as conversas fracassem.

Declarações firmes do porta-voz iraniano

Em coletiva de imprensa realizada em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, foi categórico ao responder sobre as declarações de Trump. "Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final", afirmou Baghaei. Ele ressaltou que qualquer Estado reagiria vigorosamente a um ato de agressão, exercendo seu direito inerente à legítima defesa, e que o Irã não seria exceção.

Movimentações militares e diplomáticas

Enquanto Trump pressiona o Irã por um acordo que inclua o tema nuclear, os Estados Unidos enviaram um destacamento naval e aéreo significativo para a região do Oriente Médio. No entanto, a via diplomática permanece aberta, com uma terceira rodada de negociações indiretas marcada para quinta-feira em Genebra, mediada por Omã. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, expressou otimismo, afirmando que existem "boas possibilidades de alcançar uma solução diplomática em que todos saiam ganhando".

Preocupações internacionais e reações regionais

O vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi alertou em Genebra para o risco de uma "escalada" regional e pediu que países comprometidos com a paz tomem medidas para evitá-la. O embaixador chinês na ONU em Genebra, Shen Jian, também urgiu que se evite empurrar a questão nuclear iraniana para a confrontação. Por precaução, os Estados Unidos ordenaram a evacuação de pessoal não essencial de sua embaixada em Beirute, enquanto o movimento libanês Hezbollah, aliado do Irã, anunciou que não permaneceria neutro em caso de ataque americano.

Declarações de Trump e Netanyahu

Donald Trump desmentiu relatos da imprensa que sugeriam que o chefe do Estado-Maior americano, general Dan Caine, o teria alertado contra uma intervenção militar em larga escala no Irã. Em sua rede Truth Social, Trump afirmou que Caine "preferiria não ver uma guerra, mas, se for tomada a decisão de intervir militarmente contra o Irã, acredita que seria fácil vencer". Paralelamente, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou que Israel se mantém "vigilante e preparado para qualquer cenário".

Contexto de tensão e protestos internos

A tensão entre Estados Unidos e Irã aumentou recentemente após a violenta repressão a protestos antigovernamentais no Irã em janeiro, o que levou Trump a prometer "ajudar" o povo iraniano. Nos últimos dias, manifestações contra o governo foram organizadas em várias cidades iranianas. Vídeos verificados pela AFP mostram grupos de estudantes em uma universidade de Teerã queimando a bandeira da República Islâmica, adotada após a Revolução de 1979.

Histórico das negociações

As conversas anteriores entre Estados Unidos e Irã foram interrompidas em junho de 2025 pela guerra desencadeada por Israel contra o Irã, na qual Washington interveio bombardeando instalações nucleares iranianas. Trump afirmou na época que havia "aniquilado" o programa nuclear iraniano, embora o alcance exato dos danos permaneça desconhecido. Os países ocidentais temem que o Irã busque desenvolver armamento nuclear, enquanto Teerã insiste que seu programa é apenas para fins civis.