Irã intensifica repressão durante guerra e prende mais de 100 por 'monarquismo' e espionagem
Irã prende mais de 100 por 'monarquismo' e espionagem em guerra

Irã intensifica repressão durante guerra e prende mais de 100 por 'monarquismo' e espionagem

As autoridades iranianas anunciaram, nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, a prisão de mais de 100 supostos membros de "células monarquistas" que estariam conspirando contra a República Islâmica, além de suspeitos de espionagem e indivíduos acusados de colaborar com um canal de televisão proibido. O endurecimento da repressão ocorre em meio à guerra contra Estados Unidos e Israel, e após uma onda de protestos anti-regime que tomou o país no início do ano.

Operação em larga escala contra supostas células monarquistas

Forças do Ministério da Inteligência do Irã "identificaram e prenderam 111 células monarquistas em 26 províncias" antes que pudessem agir na última quarta-feira do ano, pouco antes do Ano Novo iraniano, informou o ministério em um comunicado divulgado pela agência de notícias Fars. Não ficou imediatamente claro quantas pessoas estavam envolvidas nas supostas células, mas a operação representa uma das maiores ações repressivas recentes.

O ministério informou que quatro suspeitos de espionagem com vínculos com os Estados Unidos foram presos na cidade de Hamedan e na província do Azerbaijão Ocidental, ambas no oeste do país. As autoridades também detiveram outras 21 pessoas acusadas de colaborar com a rede de televisão Iran International, sediada em Londres e proibida no Irã.

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Apreensão de armas e contexto de guerra regional

Durante as operações, as autoridades relataram a apreensão de diversos equipamentos, incluindo:

  • Armas de fogo
  • Armas brancas
  • Armas de choque
  • Cassetetes

As prisões vieram em meio a uma guerra regional que começou em 28 de fevereiro com ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Nas últimas semanas, as autoridades realizaram buscas em larga escala por todo o país, prendendo centenas de pessoas suspeitas de colaborar com os governos israelense e americano, segundo relatos da mídia local.

Contexto de protestos e designação de organização terrorista

No domingo, o chefe de polícia Ahmad Reza Radan afirmou que um total de 500 pessoas foram presas sob suspeita de espionagem e "envio de informações ao inimigo e a veículos de comunicação anti-iranianos". O Irã designou a Iran International como uma "organização terrorista" em 2022, alertando que a colaboração com o canal pode ser punida com base na lei iraniana.

Em janeiro, a maior onda de protestos no país desde a Revolução Islâmica, que instaurou o regime clerical em 1979, terminou com mais de 50 mil detenções, segundo a ONG Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos, e entre 4 mil e 30 mil mortos. Este contexto de instabilidade interna combinado com as tensões internacionais tem levado a um aumento significativo das medidas repressivas por parte do governo iraniano.

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