Irã nega negociações com EUA para fim da guerra, contradizendo declaração de Trump
Irã nega negociações com EUA, contradiz Trump sobre guerra

Irã desmente Trump e afirma não haver negociações para fim da guerra no Oriente Médio

O Ministério das Relações Exteriores do Irã negou categoricamente nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, ter mantido qualquer tipo de negociação com os Estados Unidos visando ao encerramento da guerra que assola o Oriente Médio desde 28 de fevereiro. A declaração oficial iraniana entra em direta contradição com as afirmações feitas anteriormente pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que havia alegado publicamente que os dois lados tiveram "conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades" na região.

Trump anuncia pausa em ataques, mas Irã vê manobra estratégica

Em uma publicação em sua rede social Truth Social, Donald Trump também anunciou uma pausa de cinco dias nos ataques aéreos contra usinas e a infraestrutura energética do Irã, condicionando a interrupção dos bombardeios "ao sucesso das reuniões e discussões em andamento". No entanto, o governo iraniano interpretou a medida de forma bastante cética. "As declarações do presidente dos EUA estão inseridas no contexto dos esforços para reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares", afirmou o Ministério das Relações Exteriores à emissora semioficial Mehr.

O porta-voz iraniano foi ainda mais enfático ao destacar que "não somos nós que iniciamos esta guerra, e todos esses pedidos devem ser encaminhados a Washington", referindo-se a iniciativas de países da região para reduzir as tensões. Esta postura reforça a posição de Teerã de que a responsabilidade pelo conflito e por qualquer movimento de paz recai sobre os Estados Unidos.

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Troca de ameaças marca escalada do conflito

A negação das negociações ocorre em um contexto de intensa troca de ameaças entre as duas nações, que já dura mais de três semanas. No sábado, 21 de março, Donald Trump havia emitido um ultimato, ameaçando "obliterar" usinas de energia do Irã caso o Estreito de Ormuz – uma passagem marítima crucial por onde transitam aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos globalmente – não fosse totalmente reaberto em até 48 horas. Um ataque às instalações energéticas iranianas representaria uma escalada significativa e perigosa no conflito.

Em resposta direta, a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irã, contra-atacou no domingo, 22 de março, afirmando que fecharia "completamente" a passagem marítima se o ultimato de Trump fosse cumprido. Além disso, prometeu "destruir irreversivelmente" infraestruturas essenciais em todo o Oriente Médio, incluindo sistemas vitais de abastecimento de água e usinas de energia que fornecem eletricidade para bases militares americanas na região.

Nova advertência iraniana inclui ameaça de minas navais

Nesta segunda-feira, as tensões aumentaram ainda mais com uma nova advertência emitida por Teerã. O Conselho de Defesa do Irã ameaçou instalar "minas navais" no Golfo Pérsico caso os Estados Unidos e Israel decidam atacar suas costas ou ilhas. Em um comunicado oficial, o Conselho declarou: "Qualquer tentativa do inimigo de atacar as costas ou ilhas iranianas provocará, naturalmente e de acordo com a prática militar estabelecida, que em todas as rotas de acesso e nas linhas de comunicação no Golfo Pérsico e nas zonas costeiras sejam instalados diversos tipos de minas navais, incluindo minas à deriva que podem ser lançadas a partir das costas".

Esta medida, se implementada, poderia ter consequências devastadoras para o comércio marítimo global e para a segurança energética mundial, dado o papel estratégico do Golfo Pérsico nas rotas de transporte de petróleo. A situação permanece extremamente volátil, com ambos os lados demonstrando pouca disposição para recuar em suas posições, enquanto a comunidade internacional observa com crescente preocupação os desdobramentos de um conflito que já mostra sinais alarmantes de intensificação.

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