Presidente do Irã justifica ataques a nações do Golfo como retaliação a ofensiva EUA-Israel
Irã justifica ataques a nações do Golfo como retaliação

Presidente iraniano defende ações militares contra nações do Golfo Pérsico

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, publicou nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, um comunicado direcionado às nações vizinhas do Golfo Pérsico justificando os ataques realizados contra seus territórios desde o último domingo. Segundo o mandatário, Teerã "não teve outra escolha" a não ser retaliar após uma ofensiva promovida conjuntamente por Estados Unidos e Israel.

Diplomacia esgotada e defesa necessária

Em suas declarações, Pezeshkian afirmou: "Respeitados líderes de nossos países amigos e vizinhos, tentamos evitar a guerra com a ajuda de vocês e por meio da diplomacia, mas o ataque militar americano-sionista não nos deixou outra escolha senão nos defender". A manifestação ocorre em um momento de crescente tensão regional, com múltiplos países expressando preocupação com a escalada do conflito.

Condenação unânime dos países do Golfo

Setepaises do Oriente Médio assinaram um comunicado conjunto com os Estados Unidos acusando o Irã de violar sua soberania e atacar civis. O documento foi assinado por:

  • Arábia Saudita
  • Bahrein
  • Catar
  • Emirados Árabes Unidos
  • Jordânia
  • Kuwait

O texto afirma: "Condenamos veementemente os ataques indiscriminados e imprudentes com mísseis e drones da República Islâmica do Irã contra territórios soberanos em toda a região. Esses ataques injustificados atingiram territórios soberanos, colocaram populações civis em risco e danificaram infraestrutura civil".

Alegações de ataques a áreas civis

O premiê catari, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, rejeitou as alegações iranianas de que apenas alvos militares teriam sido atingidos. Durante conversa com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ele afirmou que os ataques atingiram áreas civis e residenciais em seu país, incluindo regiões próximas ao Aeroporto Internacional de Hamad, infraestruturas vitais e zonas industriais.

Al Thani, que também atua como ministro das Relações Exteriores do Catar, declarou: "Isso constitui uma violação flagrante da soberania do Estado do Catar e dos princípios do direito internacional".

Balancos trágicos e ameaças de escalada

O Crescente Vermelho divulgou um balanço alarmante:

  1. Mais de 1.045 pessoas morreram no Irã desde o início do conflito
  2. Mais de mil bombardeios foram lançados contra 153 cidades iranianas
  3. Israel registrou pelo menos 11 mortos
  4. Ataques retaliatórios iranianos mataram 11 pessoas em países do Golfo
  5. Há relatos de ao menos seis soldados americanos mortos

Na terça-feira, um comandante da Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o Irã poderá atingir "todos os centros econômicos" do Oriente Médio caso Estados Unidos e Israel mantenham bombardeios. O general Ebrahim Jabari advertiu que qualquer ataque a infraestruturas estratégicas do país será respondido de forma proporcional.

Estreito de Ormuz: ponto de pressão estratégico

O comandante também citou o Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre o Irã e Omã por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Jabari afirmou que qualquer navio que tentar ultrapassar o bloqueio imposto por Teerã será incendiado.

Para o economista Sylvain Bersinger, fundador do escritório Bersingéco, essa situação faz "surgir o risco de um terceiro choque petrolífero, depois dos de 1973 e 1979 e após o choque do gás de 2022". Ele acrescentou: "O cenário de um barril de petróleo que suba até 110 dólares pode ser considerado um cenário crível".

Economistas do banco Natixis alertaram que "qualquer interrupção duradoura" do tráfego no estreito de Ormuz "teria importantes implicações para os mercados, mas também para a dinâmica da inflação e a estabilidade econômica global".

Países atingidos pelos mísseis iranianos

Pelo menos nove países do Oriente Médio foram alvo de mísseis iranianos desde o início do conflito, no sábado, 28 de fevereiro:

  • Bahrein
  • Iraque
  • Israel
  • Jordânia
  • Kuwait
  • Omã
  • Catar
  • Arábia Saudita
  • Emirados Árabes Unidos

A situação continua extremamente tensa, com possibilidades reais de escalada que preocupam tanto os países da região quanto a comunidade internacional.