O espaço aéreo do Irã foi fechado para a maioria dos voos internacionais nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2025, em meio a uma escalada dramática da violência e tensões geopolíticas. A medida ocorre enquanto protestos massivos contra o regime dos aiatolás, que já duram dias, resultaram em mais de 3.400 mortes, segundo organizações de direitos humanos.
Fechamento do espaço aéreo e alertas internacionais
As autoridades iranianas notificaram as companhias aéreas sobre o fechamento de seu espaço aéreo para todos os voos internacionais, com exceção daqueles com origem ou destino em Teerã. Por volta das 18h30 (horário de Brasília), imagens de sites de monitoramento como o FlightRadar24 mostravam o espaço aéreo controlado por Teerã praticamente vazio.
Horas antes, o governo da Alemanha emitiu uma diretiva urgente, alertando as companhias aéreas civis alemãs para evitar a entrada na Região de Informação de Voo (FIR) de Teerã. O comunicado citava uma "situação perigosa" e um "risco potencial à aviação devido à escalada de conflitos e armamento antiaéreo".
O impacto foi imediato. Voos comerciais, como o UAE325 da Emirates, que ia de Seul para Dubai, deram meia-volta sobre o Turcomenistão para sair da zona de risco. Outros, como o AUV7742 da FlyOne, pareceram retornar sobre o Golfo Pérsico.
Protestos violentos e repressão brutal
O fechamento do espaço aéreo é um reflexo da crise interna profunda que o país enfrenta. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, o número de mortos nos protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei subiu para pelo menos 3.428 pessoas, sendo 3.379 manifestantes. Este balanço, divulgado nesta quarta, refere-se apenas aos dias 8 a 12 de janeiro.
A ONG norte-americana HRANA informa que mais de 18 mil manifestantes já foram presos. Relatos de testemunhas e organizações internacionais descrevem uma repressão violenta, com forças de segurança atirando diretamente contra os civis e realizando supostas execuções extrajudiciais. O regime também impôs um bloqueio severo à internet, dificultando a apuração do número real de vítimas.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou na terça-feira (13) acreditar que o regime dos aiatolás está em seus "últimos dias e semanas". Ele afirmou que a manutenção do poder apenas através da violência é um sinal claro do fim de um governo.
Ameaças militares e tensão global
A situação atraiu a atenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em discursos na terça-feira, Trump dirigiu-se diretamente aos "patriotas iranianos", incentivando-os a continuar protestando e a "derrubar suas instituições". Ele prometeu que "a ajuda está a caminho" e alertou que os responsáveis pela repressão "vão pagar um preço muito alto".
Trump recebeu de sua equipe um relatório com opções militares contra o Irã, e a mídia norte-americana especula sobre um ataque iminente. Em resposta, o Irã denunciou os EUA à ONU, acusando Washington de forjar um pretexto para uma mudança de regime. Um alto oficial iraniano disse à Reuters que o país atacará bases militares americanas no Oriente Médio caso seja bombardeado, e que já avisou países vizinhos sobre esta decisão.
Enquanto isso, fontes indicam que os Estados Unidos começaram a evacuar soldados de algumas de suas principais bases na região. O clima é de expectativa por uma possível conflagração, com o espaço aéreo iraniano silencioso servindo como um símbolo palpável da tempestade que se aproxima.