Negociações entre Irã e Estados Unidos avançam com obstáculos em Islamabad
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou em entrevista à televisão iraniana que as negociações com os Estados Unidos, realizadas em Islamabad nos dias 11 e 12 de abril, ainda estão distantes de uma conclusão. "Ainda estamos longe de concluir o debate", afirmou Ghalibaf, que participou pessoalmente dos encontros ao lado da delegação norte-americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance.
Progressos e divergências nas conversas de alto nível
Segundo o dirigente iraniano, houve avanços significativos durante as discussões, mas persistem muitas divergências entre as partes. "Fizemos progressos nas negociações, mas ainda existem muitas divergências e alguns pontos fundamentais continuam em aberto", explicou Ghalibaf. Este encontro em Islamabad representou o diálogo de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Iraniana de 1979, marcando um momento histórico nas relações bilaterais.
Falta de confiança e exigências iranianas
Durante as conversas, Teerã deixou claro sua desconfiança em relação aos Estados Unidos. Ghalibaf destacou que o Irã "não tem absolutamente nenhuma confiança" nos norte-americanos e exigiu mudanças na postura estadunidense. "Os Estados Unidos precisam tomar a decisão de conquistar a confiança do povo iraniano", afirmou, acrescentando que Washington "devem abandonar o unilateralismo e a postura impositiva na abordagem ao diálogo".
Cessar-fogo e controle estratégico do estreito de Ormuz
O presidente do parlamento iraniano também abordou o cessar-fogo de duas semanas que entrou em vigor em 8 de abril, afirmando que o Irã só aceitou a trégua porque os Estados Unidos solicitaram. Ghalibaf justificou a decisão destacando a posição vantajosa do Irã no conflito: "Estávamos vencendo no terreno, o inimigo não havia alcançado nenhum dos seus objetivos e o Irã também controlava o estreito de Ormuz". Ele concluiu que "se aceitamos o cessar-fogo, foi porque eles aceitaram nossas condições", reforçando a narrativa de força e controle estratégico iraniano.
As declarações de Ghalibaf refletem a complexidade das relações entre Irã e Estados Unidos, onde avanços diplomáticos convivem com profundas desconfianças e divergências estratégicas. O controle do estreito de Ormuz, via crucial para o comércio global de petróleo, permanece como um ponto central de tensão e negociação entre as nações.



