Irã anuncia ataque a porta-aviões americano; Washington desmente e denuncia 'mentira'
A tensão entre Irã e Estados Unidos atingiu um novo patamar neste domingo, 1º de março, quando a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do regime iraniano, afirmou ter atacado o porta-aviões USS Abraham Lincoln no Golfo Pérsico. A alegação ocorre após a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em uma ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel.
Alegação iraniana e negação americana
Em comunicado divulgado pela mídia local, a Guarda Revolucionária declarou: "O porta-aviões americano Abraham Lincoln foi atingido por quatro mísseis balísticos", acrescentando que "terra e mar se tornarão cada vez mais o cemitério de agressores terroristas". A afirmação foi feita como parte da promessa de vingança pela morte de Khamenei, que governava o Irã desde 1989.
No entanto, o Comando Central das Forças Armadas americanas (CENTCOM) respondeu rapidamente, classificando as informações como falsas. Através da rede social X (antigo Twitter), o comando escreveu: "A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alega ter atingido o USS Abraham Lincoln com mísseis balísticos. MENTIRA". A mensagem continuou: "O Lincoln não foi atingido. Os mísseis lançados nem chegaram perto. O Lincoln continua lançando aeronaves em apoio à campanha implacável do CENTCOM para defender o povo americano, eliminando as ameaças do regime iraniano".
Contexto do deslocamento do porta-aviões
O USS Abraham Lincoln, considerado pela Marinha americana como o maior navio de guerra do mundo, foi enviado ao Golfo Pérsico no final de janeiro como parte de uma força naval deslocada "por precaução" devido às tensões regionais. O porta-aviões nuclear, com 333 metros de comprimento e capacidade para transportar aproximadamente 100 mil toneladas de equipamentos, incluindo 65 aeronaves, havia passado meses no Mar do Caribe antes de seguir para o Oriente Médio.
O deslocamento ocorreu em meio às negociações fracassadas sobre o acordo nuclear com o Irã e à violenta repressão do regime contra manifestantes no início do ano. O presidente americano, Donald Trump, havia caracterizado a movimentação como parte de uma "armada" destinada a pressionar o governo dos aiatolás.
Promessas de vingança e luto no Irã
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que é "dever e direito legítimo vingar os perpetradores e mentores" do assassinato de Khamenei. A Guarda Revolucionária, por sua vez, prometeu a ofensiva "mais feroz da história" contra Israel e Estados Unidos, declarando através do Telegram que "a operação ofensiva mais feroz da história das Forças Armadas da República Islâmica do Irã começará a qualquer momento".
O regime também decretou um período de luto de 40 dias e sete dias festivos após a morte de Khamenei, aos 86 anos. Em comunicado, a guarda condenou "os atos criminosos e terroristas cometidos pelos governos malignos dos Estados Unidos e do regime sionista", prometendo que "a mão vingativa da nação iraniana não os deixará em paz".
Outros desenvolvimentos militares
Em desenvolvimento separado, o CENTCOM informou que uma corveta iraniana da classe Jamaran foi atingida por forças americanas durante operações no sábado. Segundo nota do comando, "o navio está afundando no Golfo de Omã, próximo ao cais de Chah Bahar", com recomendação para que membros das forças armadas iranianas abandonem a embarcação.
A situação permanece extremamente tensa na região, com ambos os lados mantendo posturas beligerantes enquanto o mundo acompanha atentamente os desdobramentos deste confronto que pode ter implicações globais significativas.
