Irã afirma que países buscam mediação na guerra com EUA e Israel, mas exige foco em iniciador do conflito
Irã diz que países buscam mediação na guerra com EUA e Israel

Irã revela iniciativas de mediação internacional na guerra com EUA e Israel

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, que alguns países começaram a se mobilizar para tentar mediar e pôr fim à guerra com Estados Unidos e Israel. Em declarações feitas na rede social X (antigo Twitter), o líder iraniano deixou claro, no entanto, que esses esforços diplomáticos precisam se dirigir especificamente a quem iniciou as hostilidades.

Exigência iraniana para qualquer processo de paz

"Alguns países começaram a tentar exercer uma mediação. Sejamos claros: estamos comprometidos com uma paz duradoura na região, mas não hesitaremos em defender a dignidade e a soberania de nossa nação", afirmou Pezeshkian em sua publicação. "A mediação deve se dirigir a quem subestimou o povo do Irã e iniciou este conflito", acrescentou o presidente, sem especificar quais nações entraram em contato.

Fontes regionais indicam que Catar, Turquia, Egito e Omã já haviam se oferecido como mediadores potenciais desde os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel ocorridos no último sábado. Esta movimentação diplomática ocorre em um contexto onde o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou, há dois dias, que este era um momento para defesa nacional, não para diplomacia.

Posição inflexível do governo iraniano

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi ainda mais direto em entrevista ao canal americano NBC, declarando que o país não busca um "cessar-fogo, nem negociações" no momento atual. Esta postura reflete a convicção do governo de que é tarde demais para negociações, conforme Pezeshkian tem afirmado em vários momentos desde o início do conflito.

A guerra eclodiu enquanto o Irã participava de negociações em Omã sobre seu programa nuclear, repetindo um padrão similar aos ataques israelo-americanos de junho passado, que começaram durante tratativas nucleares em andamento. As declarações recentes de Washington e Tel Aviv não indicam disposição para retornar à mesa de negociações em breve.

Contexto militar e apelos reformistas

Do lado militar, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou na noite de quinta-feira, 5 de março, que o poder de fogo sobre o Irã estava prestes a "aumentar drasticamente". Paralelamente, as Forças de Defesa de Israel anunciaram uma nova fase intensificada da campanha na manhã desta sexta-feira.

Enquanto isso, dentro do Irã, grupos reformistas - minoria na nação persa - defendem que Teerã deveria nomear um líder supremo moderado. A Frente Reformista, que ajudou Pezeshkian a se tornar presidente há 18 meses, argumenta que essa mudança poderia reduzir a polarização interna e contestar a propaganda americana que pinta o país como belicista.

Segundo o jornal iraniano Donya-e-Eqtesad, a Frente Reformista sugeriu que "a eleição de uma nova liderança para o regime poderia transmitir uma mensagem de paz e amizade ao mundo", fortalecendo assim os protestos contra a guerra no cenário global. O grupo, cuja liderança foi alvo de prisões em massa recentes, declarou ainda que o objetivo de Israel seria o caos, a guerra civil e a desintegração do Irã.

Panorama político interno

De modo geral, o presidente Pezeshkian tem dado mais ênfase à busca de uma nova liderança para o país, visando evitar uma mudança completa de regime - que é a preferência declarada do governo israelense. Atualmente, o governo iraniano é administrado por um conselho tripartite temporário, enquanto a escolha do líder supremo é feita por uma assembleia de 88 clérigos.

A Frente Reformista não identificou publicamente seu candidato preferido nem nomeou alguém que, em sua opinião, possa prejudicar a unidade nacional. O grupo enfatizou que qualquer nova liderança deveria transmitir a mensagem do início de uma nova era no Irã, prometendo a participação de todas as correntes e tendências políticas e civis na governança do país.