É #FAKE que Pfizer listou hantavírus como efeito colateral da vacina Covid-19
É #FAKE que Pfizer listou hantavírus como efeito colateral

Circulam nas redes sociais publicações enganosas que afirmam que a Pfizer identificou a contaminação por hantavírus como um efeito colateral da vacina contra a Covid-19. Essa informação é falsa. O boato se baseia em um documento real, de 38 páginas, enviado pela Pfizer à FDA (agência regulatória dos EUA) em 2021, que lista diversos eventos adversos reportados durante os estudos, mas sem estabelecer relação de causalidade.

Em contato com a Pfizer, a assessoria de imprensa esclareceu: “A infecção por Hantavírus não está listada como reação adversa na bula aprovada da vacina Pfizer-BioNTech contra a Covid-19, disponível em nosso site e no portal da Anvisa. Autoridades regulatórias mundiais autorizaram a vacina, e comitês médicos revisam continuamente os dados. Com bilhões de doses administradas, o perfil de segurança permanece favorável.”

A bula, acessível nos sites das agências regulatórias, não menciona o hantavírus. O comunicado da farmacêutica destaca que “a infecção pulmonar por hantavírus aparece no documento como um evento relatado, e não como uma reação adversa atribuída à vacina. O documento deixa claro que o acúmulo de relatos não indica causalidade; o evento pode decorrer de doença subjacente ou outros fatores.”

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O especialista em microbiologia Luís Carlos de Souza Ferreira, professor da USP, explicou ao Fato ou Fake que a listagem de eventos adversos é obrigatória na fase 4 de estudos clínicos de qualquer vacina. “Esse relatório lista centenas de possíveis efeitos para que equipes de saúde fiquem atentas. No caso do hantavírus, ele é apenas um ponto a ser avaliado, mas não houve qualquer aumento de infecção ou indício de que a vacina cause a doença. Dizer isso é categoricamente falso.”

O especialista acrescenta que, se houvesse comprovação de causalidade, a vacina teria sido suspensa, como ocorreu com a vacina da AstraZeneca quando se identificou risco de trombose. “O sistema de monitoramento é tão sério que detecta eventos raros. No caso da Pfizer, a análise cuidadosa verificou que a hantavirose sequer foi detectada. Portanto, a notícia é completamente fake.”

As publicações falsas ganharam força após o surto de uma variante do hantavírus (Andes) que matou três pessoas em um cruzeiro. A OMS descartou disseminação maior, mas a situação requer atenção. O hantavírus é transmitido por roedores e pode causar fadiga, febre, dores musculares e, em casos graves, problemas pulmonares.

Os efeitos adversos reais da vacina da Pfizer, listados na bula, incluem: muito comuns (dor de cabeça, diarreia, dor articular, dor muscular, dor no local da injeção, cansaço, calafrios, febre); comuns (aumento de gânglios, náusea, vômito, vermelhidão); incomuns (reações alérgicas, insônia, tontura, suor excessivo); e raros (paralisia facial aguda). Nenhum deles inclui hantavírus.

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